domingo, 2 de setembro de 2012

Lições da amizade


Parece que foi ontem, mas já faz quase um ano que sentava no computador para escrever meu enfoque avisando aos leitores que eu iria entrar em férias. E agora estou novamente pronta para ficar 30 dias longe do jornal, da minha bancada e dos meus colegas de trabalho que, a despeito de “pegarem no meu pé” o tempo todo, me são muito queridos.

Diferente de 2010, quando realizei meu sonho de conhecer o Egito, e do ano passado, quando estive nas geleiras da Argentina, dessa vez vou fazer uma viagem pouco usual para quem é considerada “fresca”: vou a Marabá, no Pará. Engraçado ver a reação das pessoas quando eu respondo meu destino a semana que vem. Por quê? Fazer o que? Tem índio lá?

A resposta é simples: vou visitar minha melhor amiga, aquela que a gente escolhe para ser irmã e que, não importa quanto o tempo passe, nem qual seja o tamanho da distância que nos separe, ela sempre está ali. Ou aqui de vez em quando, como é o caso da Ana Maria, que há 33 anos entrou em minha vida para fazer a diferença sempre.

Acho que mencionei a Aninha rapidamente em algum texto aqui. Ela é meu completo oposto: totalmente desprovida de vaidade, uma pessoa sempre pronta a ajudar todo mundo. Fui sua madrinha de casamento, que foi um dos bonitos que assisti em toda minha vida. O desprendimento dela é uma coisa que, por mais que eu a conheça, sempre me surpreende. Quando seu pai ficou muito doente, há quatro anos, eu havia acabado de fazer minha mastectomia. Mesmo sabendo que ele havia sido desenganado, ela ainda assim ligou para meus pais, perguntando se eles precisavam de ajuda para cuidar de mim! E não que ela não se importasse com o pai, muito pelo contrário, sempre foi uma filha super dedicada. Mas ela acreditava que, nos momentos em que estivesse fora do hospital, poderia ficar com minha família, para ajudá-los no que precisassem comigo.

E, mesmo a Ana sendo essa pessoa fantástica, com quem eu nunca tive uma briga nesses 33 anos de amizade, ainda assim eu relutava em ir à cidade que ela escolheu para morar há cerca de 15 anos. Os motivos eram os mais diversos: é longe, é quente, é mato, tem bicho, é seco... Sempre arrumava uma desculpa, e sempre adiava essa visita. Até que, esse ano, mais uma vez, a Ana me deu uma bela lição de que a amizade está acima dessas coisas pequenas. Quando fiz 40 anos, ela veio para minha festa. Parece algo fácil de fazer, mas eu sei o que significou para ela: deixa de passar o Natal com sua mãe, algo que ela nunca havia feito desde que mora em Marabá, para poder estar aqui em janeiro, porque ela achava importante viver este momento que para mim era uma celebração de vida. A atitude dela me fez ver que meu egoísmo, tão latente muitas vezes, deveria ser deixada de lado. Por isso, nessa minha viagem, o que menos importa é o roteiro, mas sim os bons momentos que tenho certeza viverei no Pará.

domingo, 26 de agosto de 2012

(Falta de) senso brasileiro



Tenho acompanhado há cerca de um mês pelo Facebook a viagem de uma amiga jornalista, Inaie Ramalho, que esteve no Vietnam e postou fotos belíssimas dos lugares visitados. Depois de um passeio pela exótica Ásia, essa colega está agora na Europa, mais precisamente em Berlim, onde tem visitado pontos turísticos e históricos que, se tudo der certo, pretendo conhecer em 2013.

Como na viagem à Ásia, Inaie tem postado fotos de tudo que visita. A semana passada, a jornalista postou uma foto de um lugar fantástico: a East Side Gallery, uma parte do muro de Berlim com cerca de 1,3 mil metros que é todo pintada por artistas. As pinturas são lindas e muito coloridas, mas ao final do muro, uma “obra de arte” chocou a minha amiga e a todos que viram a foto que ela fez: uma pichação de cinco estudantes brasileiras, com quatro delas se autointitulando “biscates 2012” (devem ser mesmo!), e os nomes e sobrenomes grafados de maneira a não deixar dúvidas sobre a autoria de tamanho absurdo. O fato provocou tanta revolta em quem viu a foto que outra amiga de Inaie acabou descobrindo o perfil de todas as garotas no Facebook (viva a tecnologia!) e que elas são intercambistas do Rotary, uma instituição mundialmente conhecida pela seriedade de seu trabalho.

Aí fiquei pensando em todas as vezes que lemos relatos de brasileiros sendo discriminados ou destratados nos países europeus, principalmente na Alemanha, França e Inglaterra, onde o respeito por sua história é a tônica de toda a sociedade. Já morei em Londres e visitei vários países depois disso, e posso dizer, com uma tremenda tristeza, que nem dá para reclamar muito, porque boa parte dos patrícios que viajam para fora esquecem que as regras sociais desses lugares são diferentes das nossas, e agem como se estivessem em seu próprio país, com aquelas atitudes tipicamente brasileiras: furam fila, falam super alto, estacionam em lugar proibido, desrespeitam os assentos para deficientes e idosos, enfim, adotam o comportamento que aqui é aceito cotidianamente, mas que nesses lugares nos coloca de volta à idade da pedra.  

Fiquei imaginando as estudantes (ainda me pergunto o que elas realmente foram aprender na Alemanha) pichando o muro, olhando furtivamente para os lados para não serem pegas em flagrante, e se achando as “espertas” por conseguirem pichar um monumento que é o retrato de uma época que os alemães querem esquecer, mas deixam ali inteiro para que a história não se repita. Dá para imaginar elas tirando fotos para depois mostrarem aos amigos, e acreditando que, aqui, ninguém ia saber mesmo disso, muito menos seus pais, que eu quero acreditar jamais aprovariam esse tipo de comportamento tão vulgar e desrespeitoso. Pois alguém soube, e está divulgando em todos os lugares, com nome e sobrenome junto. Essas estudantes envergonham o país, e reforçam aquilo que tanto queremos mudar: a nossa falta de cidadania.


 

domingo, 12 de agosto de 2012

Pai também tem seu dia



Estamos acostumadíssimos a falar sempre da mãe, a demonstrarmos amor o tempo todo pela mãe, a colocarmos mil fotos e frases em redes sociais mostrando o quanto precisamos dela. Até mesmo as campanhas do Dia dos Pais parecem que são menos emocionantes que as das mães, e as vendas mostram que, em termos de datas comerciais, essa não é uma das que mais aquece o comércio no ano.

Sou de uma geração que, em sua maioria, cresceu sendo educado pela mãe, com o pai trabalhando fora. Claro que o entrosamento com a mãe acabava sendo muito maior do que com o pai. Com isso, os pais se transformavam naquela pessoa distante, normalmente autoritária, sempre trabalhando e, quando estavam em casa, assistindo televisão e sem vontade de brincar.

Meu pai era assim. Hoje, aos 67 anos, ele dispõe de muito mais tempo para ficar conosco do que tinha quando mais novo. Mas hoje somos nós que não dispomos de tanto tempo assim para ficar com ele, porque trabalhamos e queremos ocupar nosso tempo livre com amigos e atividades de lazer. Não que isso seja um problema, porque ele não é daqueles aposentados que fica em casa o dia todo lendo. Mas, ainda assim, às vezes ele se ressente de uma presença maior dos filhos, que nem sempre estão disponíveis ou com vontade de faze o programa que ele quer naquele momento.

Meu pai é uma pessoa de gênio forte e, dizem meus familiares, eu puxei esse lado dele. Às vezes toma atitudes intempestivas e acaba falando coisas que não devia, mas depois, a sua maneira, se redime fazendo algo pela gente que não esperamos. Acredito que todo mundo tenha seus conflitos com pais e mães, e falo que felizes são aqueles que conseguem resolvê-los enquanto eles ainda estão aqui.

E ele é aquela pessoa que, quando a coisa aperta, está sempre li. Como diz meu irmão mais velho, “na hora do vamos ver” é a ele que recorremos. Seja para nos dar um conselho, para resolver um problema, para pedir dinheiro emprestado. E, quando a coisa é realmente séria, ele acaba dando um jeito de fazer aquilo que deve ser feito.

Já tive muitos atritos com meu pai. Quando entrei na faculdade, ele ficou decepcionado, porque queria que eu tivesse feito Medicina (justo eu!) e não Jornalismo. Mas, como o tempo tudo cura e tudo mostra, ele acabou vendo que eu havia nascido para isso, e seria infeliz se tivesse outra profissão. Hoje, não vou dizer que é meu maior fã, porque isso ainda não sei, mas tenho mais do que certeza de que ele tem orgulho do que eu escrevo.

Por isso, espero muito que ele fique feliz com esse texto, que é uma homenagem a todos os pais. Em nossos corações, seu valor é igual ao da nossa mãe. Feliz Dia dos Pais!



domingo, 29 de julho de 2012

Pelo direito à neutralidade


A campanha eleitoral nem completou um mês ainda, e já vemos os candidatos se movimentando a todo vapor na busca pelos votos. Para a grande maioria deles, as redes sociais hoje são um enorme espaço a ser explorado para a conquista de novos eleitores. Considerando o alcance que apenas uma postagem pode ter, políticos e partidários têm usado principalmente o Facebook e o Twitter para expor suas ideias e buscar novos eleitores ou manter os antigos. Até aí, nada demais, estamos em uma democracia, e cada um posta o que quiser em seu perfil. O problema, no entanto, é quando a propaganda invade o espaço da outra pessoa.

Já existe uma corrente no Facebook contra a propaganda política naquele espaço. Inclusive muita gente já deixou bem claro que, se a pessoa colocar qualquer propaganda política, será deletada sumariamente do rol de “amigos”. Debates já surgiram por conta do assunto, com um lado apoiando a discussão política e o uso da rede social para a campanha, e o outro afirmando que o Facebook deve ser usado para outros temas.

Faço parte do grupo contra a propaganda política em mural alheio. Na minha visão, uma pessoa colocar uma foto de um candidato em meu mural, sem a minha autorização, é a mesma coisa que pichar o muro da minha casa. Se não permitimos isso no mundo “real”, por que ele deve ser visto como algo normal na virtualidade?

Cada postagem colocada no Facebook ou Twitter, dependendo do número de pessoas em sua rede, pode ser vista por centenas, ou até mesmo milhares de outras. A partir do momento que a foto de um político é colocada a minha revelia no meu espaço, quem vê aquela imagem não vai pensar que ela pode estar ali sem meu consentimento, mas vai enxergá-la como a minha opção de voto. No meu caso em específico, vai ser difícil alguém conseguir colocar alguma coisa, porque não permito publicações de imagens em meu mural sem antes eu visualizá-las e, caso isso seja driblado, não terei o menor problema em tirar da minha lista de contatos quem resolveu decidir por mim o meu voto.

Acredito que tanto partidários quanto candidatos devem usar o Facebook para a campanha, mas apenas em seus espaços, ou onde suas postagens sejam permitidas. Outra coisa que vem acontecendo é de aparecer pedidos de “amizade” de candidatos que nunca antes me dirigiram à palavra, pedidos esses que são bloqueados. Fazer política bem direcionada na internet é uma coisa, mas fazer politicagem é outra bem diferente. Buscar votos através de redes sociais é uma arte – afinal, quem está ali, com certeza não troca sua opção política por um “amigo” a mais em seu perfil.

domingo, 15 de julho de 2012

Enaltecimento do óbvio


Essa semana todas as mídias foram tomadas pela história de um casal de moradores de rua que achou R$ 20 mil e devolveu o dinheiro ao seu verdadeiro dono, o proprietário de um restaurante. Com um desfecho digno de filme hollywoodiano, em que o bem sempre vence o mal, o casal chegou a ser ameaçado de morte por quem havia roubado o dinheiro, mas acabou sendo protegido e recompensado com emprego e um lugar para morar pelo proprietário do restaurante.

Analisando bem todo esse cenário, cheguei mais uma vez àquela velha (e triste) conclusão: moro em um país onde a pessoa ser honesta e devolver dinheiro que não pertence a ela é motivo de notícia em todas as mídias. Pior: por eles serem moradores de rua, ou seja, pobres, parece que a atitude tem um valor maior ainda, como se pobreza fosse justificativa para desonestidade.

Por falta de heróis e por vivermos em uma sociedade onde o ter é essencial, e ser não vale grande coisa, esse tipo de comportamento toma proporções inimagináveis em países desenvolvidos como Suécia, Inglaterra, Alemanha, entre outros. Não que nesses lugares não exista gente desonesta – a diferença é que para essas sociedades ser honesto é o padrão, e não a exceção.

Claro que achei louvável a atitude do casal, que precisava muito do dinheiro e ainda assim preferiu continuar na pobreza a perder a honra, como disse o homem quando perguntado sobre o porquê havia tomado aquela decisão.

Também foi louvável a atitude do proprietário, que poderia simplesmente ter dito “muito obrigado”, dado uma gorjeta e encerrado o assunto. Não que ele teria errado se fizesse isso. Não acho que ele fez “sua obrigação”, porque não penso que pelo fato de a pessoa ter dinheiro ela seja obrigada a fazer caridade. Do mesmo jeito que as pessoas enxergam a devolução do dinheiro como algo fora do comum (repito, ser honesto não é qualidade, é obrigação), deveriam enxergar a oferta de emprego e casa como algo a ser admirado, principalmente em um país onde raramente vemos gestos de generosidade desse tipo serem veiculados pela mídia. A não ser, claro, que o gesto de generosidade seja feito por alguma “piriguete” ou alguma “celebridade” em busca de mais espaço na mídia, o que é conseguido sem muita dificuldade.

Para mim, dessa história toda fica apenas uma conclusão: ainda estamos muito longe de sermos um país desenvolvido, já que a honestidade é uma característica tão rara que vira notícia apenas por ter sido praticada. Até por isso é comum nas propagandas eleitorais os candidatos usarem o termo como se fosse um diferencial entre os concorrentes. Ser honesto virou sinônimo de virtude, de qualidade, de diferencial, quando deveria ser simplesmente a obrigação de qualquer pessoa de bem.

domingo, 24 de junho de 2012

Mesquinharias desnecessárias

Essa semana fez dois meses que meu tio mais querido morreu. Valdir era um daqueles caras para quem tudo está bom. No dia do velório eu estava conversando com uma prima e disse que queria lembrar apenas dos bons momentos que havia tido com ele. Parei um pouco e falei: “Na verdade, eu só tenho bons momentos com ele. Não tem como lembrar alguma coisa ruim”.
Parece aquele papo que quando a pessoa morre vira santa. Claro que ele tinha defeitos, mas eram muito pequenos em relação a sua generosidade, seu bom humor, sua alegria de viver, suas piadas o tempo todo, seu jeito espontâneo, sua amizade, seu comportamento invejável como marido e pai.
Meu tio se foi num sábado chuvoso em um daqueles acidentes que acontecem do nada e não dão a menor chance de sobreviver a quem está envolvido. Um baque para a família toda, que se perguntou (e ainda se pergunta) por que Deus quis lá em cima (eu tenho certeza de que, se existe céu, ele está lá) um cara que, aos 51 anos, ainda tinha muita coisa boa a oferecer ao mundo.
Sempre que acontece uma tragédia ou algo muito ruim em nossas vidas passamos a refletir sobre muitas de nossas atitudes cotidianas. Eu sempre falo que depois de ter tido problema grave de saúde duas vezes acabei mudando algumas coisas em mim – por um lado, passei a ser uma pessoa menos tolerante, por outro, coisas que antes me incomodavam hoje não me fazem a menor diferença.
A morte do meu tio me fez novamente refletir sobre o quando gastamos nossas energias, que deveriam sempre estar direcionadas ao nosso bem estar, com atitudes mesquinhas que, no fundo, apenas nos fazem mal. Porque enquanto estou perdendo meu tempo e sono e beleza com pequenos aborrecimentos que podem ser deixados de lado, a pessoa com quem estou me preocupando muito provavelmente sequer se lembra do que aconteceu – ou talvez esteja satisfeita em ver que conseguiu me atingir.
Não estou dizendo com isso que devemos todos virar santos e achar que o mundo é belo em todos os sentidos. Ser inocente em excesso é tão prejudicial quanto ser desconfiado ao extremo. Como tudo na vida, o equilíbrio é a medida certa quanto se trata de relacionamento entre as pessoas.
Não me tornei ainda o ser humano que almejo ser quando se trata de relevar e esquecer coisas que, a luz da racionalidade, não deveriam sequer ter um segundo do meu pensamento. Ainda me incomodo com coisas que deveriam ser ignoradas, mas já aprendi a deixar que esse sentimento tome conta de mim o menor tempo possível. Antes gastava dias e mais dias buscando uma maneira de “dar o troco” quando alguém me prejudicava. Hoje, deixo esse troco de esmola para essa pessoa. Com certeza, ela precisa dele bem mais do que eu.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Aprendendo a arte do desapego

Nesse feriado resolvi que ia aproveitar minha folga e arrumar meu guarda-roupa. Parecia uma coisa prosaica, tirar tudo de dentro, limpar e colocar tudo de volta. Dizer a verdade, já havia começado na semana anterior o trabalho, quando limpando apenas duas partes dele tirei duas sacolas de roupas (algumas delas usadas apenas uma vez) e separei para entregar à doação. Na sexta-feira dei início então ao “grosso” do trabalho. Entre tirar papelada, caixas, livros, roupas e uma infinidade sem fim de tranqueiras, levei a tarde toda. Enquanto escrevo esse artigo, minha cama está parecendo uma loja daquelas que vendem todo tipo de coisa e onde os objetos são dispostos sem organização alguma. Tenho fama de consumista e admito esse meu pecado. Quando vejo a palavra “promoção”, parece que meus olhos ficam maiores e, a despeito de muitas vezes não precisar de nada daquilo que está sendo oferecido, acabo comprando alguma coisa, afinal, “estava muito barato”. Sei que mulher sempre acha que precisa de mais sapato, mais bolsa, mais roupa... Mas comprar apenas por comprar sempre foi um defeito meu que tenho tentado corrigir já há algum tempo. Não faço dívidas impagáveis por conta disso – graças a Deus, fui educada por duas pessoas que me ensinaram que a coisa mais valiosa que temos é o nosso nome, e sou incapaz de ficar devendo algo a uma pessoa. Mas voltando ao guarda-roupa. Achei muita coisa que nem lembrava mais que tinha e, se não me recordava delas, era porque não tinham valor para mim. Dito isso, comecei a tirar tudo que eu achava que não devia mais guardar, e também e organizar aquilo que ainda está em uso. Dizem que quando a gente faz isso abre espaço para novas coisas. Não sei se é verdade, mas ver aquele espaço que estava atulhado de tudo que é coisa agora organizado e com espaço para que eu consiga enxergar o que tem nele me deu uma sensação muito boa. Ainda não terminei o trabalho, mas a parte mais difícil, que era separar o que não estava em uso para ser entregue a quem realmente saiba valorizar, já foi feita. E aí me lembrei da famosa “arte do desapego”. Não sei o porquê sou uma pessoa apegada a objetos, livros, roupas, sapatos, enfim, coisas que não me servem mais. Guardo muita coisa porque “pode ser que eu precise”. No caso dos livros, aqueles que eu sei que vou reler estão em minha estante, mas comecei a participar das trocas promovidas pelas bibliotecas, e cada vez que volto com novos títulos para casa sinto prazer em saber que as histórias que já conheço serão compartilhadas com outras pessoas, assim como eu conhecerei outras tramas. Minha mãe disse que eu me sentiria mais leve fazendo isso. Ainda brinquei que para me sentir mais leve eu preciso de muita dieta e caminhada... Mas ela tinha razão. Olhando o que separei para levar embora, me senti realmente mais leve. Aprender a arte do desapego não é fácil, mas vale muito a pena. Desapego de coisas, desapego de sentimentos ruins. Abrir espaço para o novo, tanto material quanto sentimentos. Filosofia de vida nova, com muito aprendizado pela frente.