Terminou o Carnaval e parece que finalmente o ano vai começar no Brasil amanhã. Frase clichê, mas que representa bem o sentimento de muita gente, que parece ficar esperando passar os quatro dias de folia para colocar em prática projetos que poderiam estar em andamento desde o início (real) do ano.
Desta vez, no entanto, as imagens que ficaram em nossa memória não foram as dos desfiles maravilhosos, nem de passistas e rainhas de bateria com corpos esculturais, praticamente nuas na passarela. Tanto não ficaram guardadas as imagens dos carros alegóricos, reproduzindo fielmente os temas escolhidos por cada escola, em uma composição de beleza e tecnologia que, a despeito de até não gostarmos de Carnaval, nos enchem de orgulho.
Infelizmente, a imagem que ficou foi a imagem da confusão que aconteceu durante a apuração dos votos das escolas de samba de São Paulo. Além de um integrante de uma agremiação pegar os votos e rasgá-los, parte dos torcedores decidiu colocar fogo em carros alegóricos e ainda ameaçaram invadir a Marginal Tietê, em um dia de folga de feriado das praias.
Não tenho palavras para exprimir o que senti quando vi as fotos de toda essa selvageria – para mim, a palavra mais correta que descreve tudo o que houve. O Carnaval sempre foi conhecido como a festa do povo, da alegria, da descontração. A festa em que tudo pode durante quatro dias. Um feriado que muitos aguardam ansiosamente o ano todo, para poderem se divertir completamente, para depois retomarem suas vidas (muitas vezes quietas e sem tantas emoções como as vividas nos dias de folia).
Ao se olhar as fotos, analisar tudo, entra uma pergunta pertinente: foliões ou bandidos estavam acompanhando a votação? Que escolas são essas que combinam entre si de destruir votos para que o resultado do desfile não seja conhecido? Que tipo de agremiação permite que seus membros se comportem como uma gangue, destruindo em poucas horas a alegria das outras escolas, que levaram um ano para disputar o título?
Ainda não foi decidido o que será feito com as agremiações que participaram dos atos de vandalismo. Para muitos, elas devem ser expulsas da Liga, uma punição que seria exemplar e mostraria que, mesmo em se tratando de Carnaval, o assunto vira coisa séria quando envolve violência e organizações criminosa. Em minha opinião, isso é o mínimo que deveria acontecer a esses vândalos, que ofuscaram a imagem do “maior show da terra” com suas atitudes selvagens. Punição é necessária, para mostrar que, diferente do Carnaval, nem tudo no Brasil acaba em samba.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Reconhecimento tardio
Após a morte do cantor Wando, na última quarta-feira, vimos subitamente aparecerem de todos os lados fãs de um estilo que sempre era chamado de “brega”, no melhor sentido pejorativo. De repente, o estilo do cantor famoso por guardar as calcinhas das fãs passou a ser cult, e até mesmo gente que sempre o considerou ultrapassado e sem sucesso bradou aos quatro ventos que o adorava.
Sou daquelas que sempre gostou de Wando. Não ao ponto de ser fã do artista e ter todos os seus sucessos, mas gostava de ouvir os mais conhecidos. Recentemente, em meu aniversário, uma das músicas que o pessoal mais se animou a dançar foi “Fogo e Paixão”. Com coreografias estilo chacrete, eu e meus amigos nos divertimos muito, lembrando a época em que essa música era um estouro nas paradas das rádios.
A mesma coisa aconteceu agora que Whitney Houston morreu. Quando adolescente eu adorava seu estilo, tinha até uma fita cassete (que coisa antiga) que me foi dada por um paquera. Ouvi 500 mil vezes a fita pensando nele... Mas a época de ouro de Whitney acabou faz tempo e, diferente de Wando, que volta e meia aparecia no noticiário por conta de seu estilo inconfundível, a cantora sempre era lembrada por seu envolvimento com drogas ou alguma situação constrangedora, como sua fracassada turnê em 2010.
Mas não estou aqui para falar de quem curtia ou não Wando e Whitney, ou de quem passou a respeitá-los como artistas apenas após sua morte. Na verdade, refletindo sobre esse “amor” que surgiu do nada por eles, vi que agimos assim em nossas vidas, ou seja, depois que a pessoa morre, lembramos de quem ela era quando viva.
Isso pode ser visto dentro de nossas próprias famílias. Acredito que todo mundo deva ter aquele parente que não é muito chegado às pessoas, mas que, basta ficar doente ou morrer, vira santo. Aliás, costume geral no país: depois de morta, a pessoa jamais pode ser criticada. Afinal, não está ali para se defender.
Engraçado ver que, enquanto a pessoa era viva, estava ali, podendo ser vista e ouvido quando quiséssemos, era deixada de lado. Muitas vezes não temos o hábito de visitar parentes ou amigos, por falta de tempo, por preguiça, por simplesmente não nos importarmos. Aí, quando ela morre, lamentamos o não termos feito isso, ou somente lembramos suas qualidades, esquecendo até mesmo os defeitos que provavelmente nos afastavam dela.
Quando alguém como Wando ou Whitney morre, é clichê ouvirmos que o artista precisa morrer para ser valorizado. Também é comum vermos um despertar repentino de interesse por tudo que se refira ao artista em questão, por relançamentos de suas obras, por programas em sua homenagem, por repercussão entre colegas que, muitas vezes, sequer o respeitavam.
Assim agimos quando perdemos alguém que não lembramos em vida. Para talvez aliviar a consciência pesada, buscamos apenas falar das coisas boas, e até mesmo tentamos justificar o porquê de não termos sido mais presentes em vida. Nada disso, porém, consegue esconder aquilo que é óbvio: em vida, aquela pessoa não era importante. Morta, passa a ter valor. Uma pena que muita gente tenha de descobrir isso com mais frequência do que gostaria.
Sou daquelas que sempre gostou de Wando. Não ao ponto de ser fã do artista e ter todos os seus sucessos, mas gostava de ouvir os mais conhecidos. Recentemente, em meu aniversário, uma das músicas que o pessoal mais se animou a dançar foi “Fogo e Paixão”. Com coreografias estilo chacrete, eu e meus amigos nos divertimos muito, lembrando a época em que essa música era um estouro nas paradas das rádios.
A mesma coisa aconteceu agora que Whitney Houston morreu. Quando adolescente eu adorava seu estilo, tinha até uma fita cassete (que coisa antiga) que me foi dada por um paquera. Ouvi 500 mil vezes a fita pensando nele... Mas a época de ouro de Whitney acabou faz tempo e, diferente de Wando, que volta e meia aparecia no noticiário por conta de seu estilo inconfundível, a cantora sempre era lembrada por seu envolvimento com drogas ou alguma situação constrangedora, como sua fracassada turnê em 2010.
Mas não estou aqui para falar de quem curtia ou não Wando e Whitney, ou de quem passou a respeitá-los como artistas apenas após sua morte. Na verdade, refletindo sobre esse “amor” que surgiu do nada por eles, vi que agimos assim em nossas vidas, ou seja, depois que a pessoa morre, lembramos de quem ela era quando viva.
Isso pode ser visto dentro de nossas próprias famílias. Acredito que todo mundo deva ter aquele parente que não é muito chegado às pessoas, mas que, basta ficar doente ou morrer, vira santo. Aliás, costume geral no país: depois de morta, a pessoa jamais pode ser criticada. Afinal, não está ali para se defender.
Engraçado ver que, enquanto a pessoa era viva, estava ali, podendo ser vista e ouvido quando quiséssemos, era deixada de lado. Muitas vezes não temos o hábito de visitar parentes ou amigos, por falta de tempo, por preguiça, por simplesmente não nos importarmos. Aí, quando ela morre, lamentamos o não termos feito isso, ou somente lembramos suas qualidades, esquecendo até mesmo os defeitos que provavelmente nos afastavam dela.
Quando alguém como Wando ou Whitney morre, é clichê ouvirmos que o artista precisa morrer para ser valorizado. Também é comum vermos um despertar repentino de interesse por tudo que se refira ao artista em questão, por relançamentos de suas obras, por programas em sua homenagem, por repercussão entre colegas que, muitas vezes, sequer o respeitavam.
Assim agimos quando perdemos alguém que não lembramos em vida. Para talvez aliviar a consciência pesada, buscamos apenas falar das coisas boas, e até mesmo tentamos justificar o porquê de não termos sido mais presentes em vida. Nada disso, porém, consegue esconder aquilo que é óbvio: em vida, aquela pessoa não era importante. Morta, passa a ter valor. Uma pena que muita gente tenha de descobrir isso com mais frequência do que gostaria.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Irresponsabilidade punida
Por morar em Piracicaba e trabalhar em Americana pego a Rodovia Luiz de Queiroz (SP-304) todos os dias e vejo cotidianamente motoristas irresponsáveis colocarem em risco a vida de pessoas com ultrapassagens perigosas a velocidades bem acima dos 100km/hora permitidos na pista. Um fato que tenho observado é que muitos desses motoristas são funcionários de empresas que, a despeito de estarem em horário de trabalho e com veículos que não são de sua propriedade, se aproveitam de uma suposta impunidade para fazerem todo tipo de loucura no trânsito, na certeza de que jamais serão denunciados.
No último dia 18 testemunhei uma dessas loucuras. Dois carros de uma empresa terceirizada da Telefônica estavam na rodovia correndo como loucos, praticamente fazendo uma “racha” em uma pista que estava bastante movimentada, por volta das 19h. Um deles passou por mim pela direita e por pouco não me fez parar no canteiro central. Como eu estava a 120km/hora, calculo que ele devia estar a uns 140 km/hora.
Ao invés de ficar xingando, liguei para a Polícia Rodoviária de Piracicaba e descrevi os dois carros. Quando passei pela Polícia ambos estavam sendo autuados. Parei e peguei a placa dos dois para reclamar à terceirizada. Achei que conseguiria o contato da empresa facilmente com a assessoria de imprensa da Telefônica, mas me enganei. Para meu espanto, a jornalista que me atendeu disse que a Telefônica não informava o contato de suas terceirizadas. Questionei a colega sobre essa proibição, e pude perceber que ela estava muito mais preocupada em saber se eu ia escrever mal da Telefônica em algum lugar, do que em me ajudar a simplesmente fazer uma reclamação na empresa sobre os funcionários.
Resumindo: por sorte, uma amiga do Face tem um irmão que trabalha nessa terceirizada, que entrou em contato comigo, e os dois funcionários receberam uma advertência e receberão orientações do técnico de segurança do trabalho sobre esse tipo de comportamento na estrada. Por isso, posso elogiar a TEL por ter se posicionado sobre o assunto e me dado essa satisfação, e lamentar a omissão da assessoria de imprensa da Telefônica. Se dependesse deles, eu até agora não teria conseguido entrar em contato com a empresa para falar sobre esses funcionários. De que adianta gastar milhões em propaganda se, quando um problema desses ocorre a Telefônica, ao invés de tentar ajudar o reclamante, fica blindando as terceirizadas? Depois não pode reclamar quando as pessoas não entendem que os carros são terceirizados e quando as pessoas falam que os motoristas da Telefônica correm como loucos nas estradas, coisa que já vi muito acontecer na SP-304.
No último dia 18 testemunhei uma dessas loucuras. Dois carros de uma empresa terceirizada da Telefônica estavam na rodovia correndo como loucos, praticamente fazendo uma “racha” em uma pista que estava bastante movimentada, por volta das 19h. Um deles passou por mim pela direita e por pouco não me fez parar no canteiro central. Como eu estava a 120km/hora, calculo que ele devia estar a uns 140 km/hora.
Ao invés de ficar xingando, liguei para a Polícia Rodoviária de Piracicaba e descrevi os dois carros. Quando passei pela Polícia ambos estavam sendo autuados. Parei e peguei a placa dos dois para reclamar à terceirizada. Achei que conseguiria o contato da empresa facilmente com a assessoria de imprensa da Telefônica, mas me enganei. Para meu espanto, a jornalista que me atendeu disse que a Telefônica não informava o contato de suas terceirizadas. Questionei a colega sobre essa proibição, e pude perceber que ela estava muito mais preocupada em saber se eu ia escrever mal da Telefônica em algum lugar, do que em me ajudar a simplesmente fazer uma reclamação na empresa sobre os funcionários.
Resumindo: por sorte, uma amiga do Face tem um irmão que trabalha nessa terceirizada, que entrou em contato comigo, e os dois funcionários receberam uma advertência e receberão orientações do técnico de segurança do trabalho sobre esse tipo de comportamento na estrada. Por isso, posso elogiar a TEL por ter se posicionado sobre o assunto e me dado essa satisfação, e lamentar a omissão da assessoria de imprensa da Telefônica. Se dependesse deles, eu até agora não teria conseguido entrar em contato com a empresa para falar sobre esses funcionários. De que adianta gastar milhões em propaganda se, quando um problema desses ocorre a Telefônica, ao invés de tentar ajudar o reclamante, fica blindando as terceirizadas? Depois não pode reclamar quando as pessoas não entendem que os carros são terceirizados e quando as pessoas falam que os motoristas da Telefônica correm como loucos nas estradas, coisa que já vi muito acontecer na SP-304.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Comportamentos lamentáveis
Impossível ficar imune ao que houve no BBB no final de semana. Sobre o comportamento do Daniel, o que posso dizer que foi lamentável e vergonhoso, mas não posso mais dizer que foi criminoso, porque sua suposta vítima declarou à Polícia que tudo que houve foi consensual.
Para mim, muito mais vergonhoso agora foi o comportamento de Monique. Se foi abusada e se recusa a admitir o fato, pode ter várias razões para isso. Porém, ao se recusar a fazer o exame de corpo delito, Monique deu um tapa na cara das mulheres. Quando se recusou a saber se foi realmente violentada, ela disse a todas às mulheres que bebem além da conta que podem ser estupradas e depois têm de ficar quietas. Se Monique deixou de realizar o exame por ter certeza de que não houve penetração – e acredito nisso, porque é basicamente impossível uma mulher não saber disso, principalmente se aconteceu sem sua vontade – então Daniel foi injustamente acusado de um crime grave. E, se Monique deixou o assunto acabar simplesmente porque está ganhando algo com isso (o que não é de se duvidar, em se tratando de TV Globo), ela se comporta como uma prostituta. Teve seu corpo violentado e ela mesma violenta seu caráter, em nome do “sucesso” e de ficar em uma casa onde, supostamente, foi atacada sem que ninguém fizesse nada para defendê-la.
No final de tudo isso, mantenho a conclusão que havia chegado antes: jogada pura para subir o Ibope, e que deu certo. Para quem não sabe, no dia da expulsão de Daniel, a audiência da casa subiu 80%. Todo mundo saiu ganhando – Monique, a suposta vítima, que agora vai ter o dobro de atenção dentro da casa, e a Globo, que conseguiu turbinar sua audiência. Até Daniel saiu ganhando – porque agora ficou conhecido, vai dar mil e uma entrevistas, daqui a pouco está em algum ensaio fotográfico. Quem perdeu? As mulheres que já foram ou serão estupradas. Monique apenas reforçou o estereótipo de que mulher pede para ser estuprada quando se veste de maneira vulgar ou toma um porre – por isso, para mim, seu comportamento é mil vezes mais lamentável do que o de Daniel.
Para mim, muito mais vergonhoso agora foi o comportamento de Monique. Se foi abusada e se recusa a admitir o fato, pode ter várias razões para isso. Porém, ao se recusar a fazer o exame de corpo delito, Monique deu um tapa na cara das mulheres. Quando se recusou a saber se foi realmente violentada, ela disse a todas às mulheres que bebem além da conta que podem ser estupradas e depois têm de ficar quietas. Se Monique deixou de realizar o exame por ter certeza de que não houve penetração – e acredito nisso, porque é basicamente impossível uma mulher não saber disso, principalmente se aconteceu sem sua vontade – então Daniel foi injustamente acusado de um crime grave. E, se Monique deixou o assunto acabar simplesmente porque está ganhando algo com isso (o que não é de se duvidar, em se tratando de TV Globo), ela se comporta como uma prostituta. Teve seu corpo violentado e ela mesma violenta seu caráter, em nome do “sucesso” e de ficar em uma casa onde, supostamente, foi atacada sem que ninguém fizesse nada para defendê-la.
No final de tudo isso, mantenho a conclusão que havia chegado antes: jogada pura para subir o Ibope, e que deu certo. Para quem não sabe, no dia da expulsão de Daniel, a audiência da casa subiu 80%. Todo mundo saiu ganhando – Monique, a suposta vítima, que agora vai ter o dobro de atenção dentro da casa, e a Globo, que conseguiu turbinar sua audiência. Até Daniel saiu ganhando – porque agora ficou conhecido, vai dar mil e uma entrevistas, daqui a pouco está em algum ensaio fotográfico. Quem perdeu? As mulheres que já foram ou serão estupradas. Monique apenas reforçou o estereótipo de que mulher pede para ser estuprada quando se veste de maneira vulgar ou toma um porre – por isso, para mim, seu comportamento é mil vezes mais lamentável do que o de Daniel.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Missão quase cumprida
Próximo sábado faço 40 anos. Parecia que ia demorar muito a chegar essa data, mas quando me dei conta, ela começou a aparecer bem alto no horizonte, há mais ou menos seis meses, quando percebi que estava chegando aos dígitos que marcam o verdadeiro início de tudo. Afinal, não vivem dizendo que a vida começa aos 40?
Assim como em várias datas redondas, chegar aos 40 faz a gente parar e dar uma bela refletida na vida. Aos 15 pensamos no que estaríamos fazendo quando chegássemos aos 18; aos 20 pensamos no que vamos fazer quando chegarmos aos 25; aos 30 queremos estar com a vida estabilizada... E aos 40, o que nos espera? O que alcançamos?
Não escapei desse clichê da autoanálise do que conquistei e do que deixei de conquistar ao longo desses anos. Não vou dizer que sou uma pessoa realizada em todos os aspectos, mas dentro do que me propus em minha vida, consegui realizar muitos objetivos que havia proposto bem lá atrás. Minha viagem ao Egito, por exemplo, que desde criança eu dizia que iria conhecer. Demorou, mas antes dos 40 eu realizei esse sonho.
Conseguir minha realização profissional era o que eu mais queria. E sim, eu sou realizada profissionalmente. Como todo mundo, existem problemas, mas o fato de eu trabalhar naquilo que sempre quis me faz uma pessoa feliz com o que faço. Poderia talvez ter conquistado mais nesse aspecto? Sim, mas quem sabe se eu estaria melhor do que estou hoje?
Estou falando tudo isso porque, nesta autoanálise que fiz dessas quatro décadas, pude chegar à feliz conclusão de que, no final, consegui conquistar quase tudo que queria. Não que minhas ambições tenham acabado – mas estou feliz com o que tenho neste momento. Não me lamento por aquilo que poderia ter feito quando mais nova e não fiz. Se não o fiz, é porque não era tão importante assim. O que fiz, errando ou acertando, me fez chegar às quatro décadas sem arrependimentos.
Ao fazermos essas análises da vida, vejo muita gente se apegando àquilo que não fez, que não conseguiu, e esquecendo o que foi conquistado. Muitas vezes temos até mais do que aquilo que esperávamos mais, por ambições que nem chegam a ser nossas, acabamos frustrados por não estarmos naquele patamar esperado. E me vem a pergunta: mas esperado por quem?
Para quem quase foi ficar com São Pedro (sim, eu acredito que vou para o céu), avalio que chegar aos 40 anos com saúde é a maior conquista que eu podia ter. Ainda tenho ambições e sonhos a serem realizados – que com certeza chegarão na hora certa. Enquanto isso, aproveito e sou feliz pelo que consegui até agora. O que vier no futuro, com certeza, será muito bem valorizado.
Assim como em várias datas redondas, chegar aos 40 faz a gente parar e dar uma bela refletida na vida. Aos 15 pensamos no que estaríamos fazendo quando chegássemos aos 18; aos 20 pensamos no que vamos fazer quando chegarmos aos 25; aos 30 queremos estar com a vida estabilizada... E aos 40, o que nos espera? O que alcançamos?
Não escapei desse clichê da autoanálise do que conquistei e do que deixei de conquistar ao longo desses anos. Não vou dizer que sou uma pessoa realizada em todos os aspectos, mas dentro do que me propus em minha vida, consegui realizar muitos objetivos que havia proposto bem lá atrás. Minha viagem ao Egito, por exemplo, que desde criança eu dizia que iria conhecer. Demorou, mas antes dos 40 eu realizei esse sonho.
Conseguir minha realização profissional era o que eu mais queria. E sim, eu sou realizada profissionalmente. Como todo mundo, existem problemas, mas o fato de eu trabalhar naquilo que sempre quis me faz uma pessoa feliz com o que faço. Poderia talvez ter conquistado mais nesse aspecto? Sim, mas quem sabe se eu estaria melhor do que estou hoje?
Estou falando tudo isso porque, nesta autoanálise que fiz dessas quatro décadas, pude chegar à feliz conclusão de que, no final, consegui conquistar quase tudo que queria. Não que minhas ambições tenham acabado – mas estou feliz com o que tenho neste momento. Não me lamento por aquilo que poderia ter feito quando mais nova e não fiz. Se não o fiz, é porque não era tão importante assim. O que fiz, errando ou acertando, me fez chegar às quatro décadas sem arrependimentos.
Ao fazermos essas análises da vida, vejo muita gente se apegando àquilo que não fez, que não conseguiu, e esquecendo o que foi conquistado. Muitas vezes temos até mais do que aquilo que esperávamos mais, por ambições que nem chegam a ser nossas, acabamos frustrados por não estarmos naquele patamar esperado. E me vem a pergunta: mas esperado por quem?
Para quem quase foi ficar com São Pedro (sim, eu acredito que vou para o céu), avalio que chegar aos 40 anos com saúde é a maior conquista que eu podia ter. Ainda tenho ambições e sonhos a serem realizados – que com certeza chegarão na hora certa. Enquanto isso, aproveito e sou feliz pelo que consegui até agora. O que vier no futuro, com certeza, será muito bem valorizado.
sábado, 31 de dezembro de 2011
366 dias para fazer o melhor
Mais um ano se acabou e, chegando a 2012, sempre vem junto aquele sentimento de que “as coisas vão ser diferentes”. Esses dias vi uma frase que me fez questionar esse sentimento: “Não é 2012 que tem de ser diferente – é você”. Refletindo sobre o pensamento, cheguei a uma conclusão mais que óbvia – realmente, quem tem de ser diferente somos nós.
Temos 366 dias (esse ano é bissexto!) pela frente para novamente sermos inundados pelo sentimento de que algo vai mudar. Quando chega dezembro, as famosas promessas começam a ser feitas: vou emagrecer (essa minha e de milhões de mulheres é clássica!), vou parar de fumar, vou sair menos, vou economizar, vou visitar mais meus amigos, vou me dedicar mais à família.
Parece que, quando o relógio bate a meia-noite, todos esses pensamentos, que com certeza nos assaltam ao longo do ano, chegam de uma vez só para nos lembrar que precisamos mudar. Afinal, se o ano mudou, por que nós devemos continuar sendo as mesmas pessoas?
Mudanças são bem vindas e ganhar 366 dias para usar da maneira que quiser é um bom presente para quem pretende transformar sua vida. Mas por que esperamos o dia 1º, a segunda-feira, as férias, para tomarmos atitudes que podem melhorar a nossa vida?
Em dezembro estive em várias confraternizações. Em todas elas, a mesma tônica nas conversas: “Puxa, devíamos nos reunir mais vezes”, “Está tão gostoso aqui, pena que confraternização só tem em dezembro”. E por que não podemos nos reunir com amigos, colegas de trabalho e familiares mais vezes ao longo do ano? Por que temos de esperar que o “espírito natalino” chegue para dizermos às pessoas o quanto gostamos delas e o quanto elas são importantes em nossas vidas? Ou será que esse sentimento desaparece tão logo o calendário se acaba e uma nova folhinha toma o seu lugar?
Podemos, ao longo do ano, mudarmos pequenas coisas aos poucos e, quando chegarmos lá no final, percebermos que todos aqueles objetivos que colocamos como obrigatórios de serem iniciados no dia 1º podem ser na verdade começados em qualquer época do ano. Basta ter força de vontade.
Espero que você, assim como eu, tenha todos os seus objetivos alcançados em 2012. Que os 366 dias à frente sirvam para que o seu melhor seja mostrado, e que o seu pior, quando aparecer, seja encoberto pelas suas boas atitudes. Que seus familiares e amigos continuem o amando, e que seus inimigos (permita Deus que não os tenha!) percebam o quanto você é valioso como aliado. Em tempo: amanhã, pela milésima vez em minha vida, começo um novo regime. As outras mudanças pretendo fazer aos poucos. Feliz 2012!
Temos 366 dias (esse ano é bissexto!) pela frente para novamente sermos inundados pelo sentimento de que algo vai mudar. Quando chega dezembro, as famosas promessas começam a ser feitas: vou emagrecer (essa minha e de milhões de mulheres é clássica!), vou parar de fumar, vou sair menos, vou economizar, vou visitar mais meus amigos, vou me dedicar mais à família.
Parece que, quando o relógio bate a meia-noite, todos esses pensamentos, que com certeza nos assaltam ao longo do ano, chegam de uma vez só para nos lembrar que precisamos mudar. Afinal, se o ano mudou, por que nós devemos continuar sendo as mesmas pessoas?
Mudanças são bem vindas e ganhar 366 dias para usar da maneira que quiser é um bom presente para quem pretende transformar sua vida. Mas por que esperamos o dia 1º, a segunda-feira, as férias, para tomarmos atitudes que podem melhorar a nossa vida?
Em dezembro estive em várias confraternizações. Em todas elas, a mesma tônica nas conversas: “Puxa, devíamos nos reunir mais vezes”, “Está tão gostoso aqui, pena que confraternização só tem em dezembro”. E por que não podemos nos reunir com amigos, colegas de trabalho e familiares mais vezes ao longo do ano? Por que temos de esperar que o “espírito natalino” chegue para dizermos às pessoas o quanto gostamos delas e o quanto elas são importantes em nossas vidas? Ou será que esse sentimento desaparece tão logo o calendário se acaba e uma nova folhinha toma o seu lugar?
Podemos, ao longo do ano, mudarmos pequenas coisas aos poucos e, quando chegarmos lá no final, percebermos que todos aqueles objetivos que colocamos como obrigatórios de serem iniciados no dia 1º podem ser na verdade começados em qualquer época do ano. Basta ter força de vontade.
Espero que você, assim como eu, tenha todos os seus objetivos alcançados em 2012. Que os 366 dias à frente sirvam para que o seu melhor seja mostrado, e que o seu pior, quando aparecer, seja encoberto pelas suas boas atitudes. Que seus familiares e amigos continuem o amando, e que seus inimigos (permita Deus que não os tenha!) percebam o quanto você é valioso como aliado. Em tempo: amanhã, pela milésima vez em minha vida, começo um novo regime. As outras mudanças pretendo fazer aos poucos. Feliz 2012!
domingo, 18 de dezembro de 2011
Vamos divulgar gentileza?
O Facebook ganhou força no Brasil como um espaço para reclamações contra empresas, desabafos de consumidores mal atendidos, e, de uns tempos para cá, passou a ser o principal veículo para divulgação de crimes bárbaros. Fotos de supostos estupradores, espancadores, e pessoas que maltratam animais dia a dia preenchem as páginas, muitas vezes sem que a veracidade do crime tenha sido autenticada. Em todas as postagens, a mesma tônica: o suposto acusado merece ser tratado da mesma maneira que cometeu seu crime. Assim, a incitação à violência, que todos dizem ser contra, parece unânime quando se trata de punir um criminoso.
A semana terminou com mais uma denúncia de maus tratos a animais, com o vídeo de uma mulher batendo em um yorkshire, que acabou morrendo. Por mórbida curiosidade vi as imagens que realmente deixam qualquer um revoltado, principalmente porque a violência contra o pequeno animal é cometida em frente ao filho de três da mulher, que assiste a tudo passivamente, e acredito que sem entender direito o que está se passando. O vídeo estava sendo exaustivamente partilhado por quase todos os membros do site, e ao mesmo tempo todos os dados pessoais da mulher foram divulgados.
Muitas vezes me pego com raiva de agressores, principalmente quando o crime é cometido contra crianças. A vontade que me dá é de fazer com a pessoa a mesma coisa que ela fez com o pequeno indefeso, mas meus instintos de humanidade sempre se sobrepõem a esse sentimento.
Noto que, quando a postagem se refere à violência, preconceito, crime, enfim, a acontecimentos negativos e chocantes, as postagens são partilhadas sem descanso. Parece que a minha raiva precisa ser repartida com meus amigos, que por sua vez partilharão com seus amigos, e assim sucessivamente. Já postei textos sobre assuntos assim, mas dei hoje uma busca em meu histórico e notei que a grande maioria de minhas postagens versam sobre cultura, imagens engraçadas ou irônicas, e muita mensagem positiva.
O colega jornalista Marcelo Pendezza na sexta-feira fez no Facebook um desabafo que me inspirou a esse texto: está na hora de começarmos também a divulgar coisas boas no site. Para coroar seu pensamento, Marcelo colocou a frase célebre do profeta Gentileza: “Gentileza gera gentileza”.
Concordo com o colega. Devemos sim nos indignar com acontecimentos absurdos como uma agressão a um animal indefeso, mas na mesma medida podemos e devemos divulgar sempre atos de companheirismo, de amor ao próximo, de fé em Deus, de alegria. Muitas vezes um dia que começou ruim pode mudar com uma palavra amiga, com uma piada engraçada, com um pensamento positivo. Nossos instintos de vingança e raiva precisam ter a mesma intensidade de nossos valores positivos. Para mim, essa é a melhor maneira de se começar a melhorar a sociedade, e conseguir com que esses acontecimentos negativos passem a ser mais raros.
A semana terminou com mais uma denúncia de maus tratos a animais, com o vídeo de uma mulher batendo em um yorkshire, que acabou morrendo. Por mórbida curiosidade vi as imagens que realmente deixam qualquer um revoltado, principalmente porque a violência contra o pequeno animal é cometida em frente ao filho de três da mulher, que assiste a tudo passivamente, e acredito que sem entender direito o que está se passando. O vídeo estava sendo exaustivamente partilhado por quase todos os membros do site, e ao mesmo tempo todos os dados pessoais da mulher foram divulgados.
Muitas vezes me pego com raiva de agressores, principalmente quando o crime é cometido contra crianças. A vontade que me dá é de fazer com a pessoa a mesma coisa que ela fez com o pequeno indefeso, mas meus instintos de humanidade sempre se sobrepõem a esse sentimento.
Noto que, quando a postagem se refere à violência, preconceito, crime, enfim, a acontecimentos negativos e chocantes, as postagens são partilhadas sem descanso. Parece que a minha raiva precisa ser repartida com meus amigos, que por sua vez partilharão com seus amigos, e assim sucessivamente. Já postei textos sobre assuntos assim, mas dei hoje uma busca em meu histórico e notei que a grande maioria de minhas postagens versam sobre cultura, imagens engraçadas ou irônicas, e muita mensagem positiva.
O colega jornalista Marcelo Pendezza na sexta-feira fez no Facebook um desabafo que me inspirou a esse texto: está na hora de começarmos também a divulgar coisas boas no site. Para coroar seu pensamento, Marcelo colocou a frase célebre do profeta Gentileza: “Gentileza gera gentileza”.
Concordo com o colega. Devemos sim nos indignar com acontecimentos absurdos como uma agressão a um animal indefeso, mas na mesma medida podemos e devemos divulgar sempre atos de companheirismo, de amor ao próximo, de fé em Deus, de alegria. Muitas vezes um dia que começou ruim pode mudar com uma palavra amiga, com uma piada engraçada, com um pensamento positivo. Nossos instintos de vingança e raiva precisam ter a mesma intensidade de nossos valores positivos. Para mim, essa é a melhor maneira de se começar a melhorar a sociedade, e conseguir com que esses acontecimentos negativos passem a ser mais raros.
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