quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Milhões de sonhos para 2010

E 2009 se acabou. Ao escrever este artigo, estou vivendo as últimas horas do ano e na expectativa de que 2010 seja melhor que os meses que se passaram. Não que eu tenha motivos em excesso para reclamar, até muito pelo contrário, tenho mais a agradecer e comemorar, mas sempre esperamos que um novo ano nos traga mais ânimo e esperança para realizarmos planos deixados para trás.
E, claro, estou na expectativa do sorteio da Mega Sena da Virada. Assim como eu, milhões de brasileiros com certeza vão acompanhar com ansiedade o sorteio daquele que está sendo considerado o maior prêmio da história. Difícil até imaginar o que fazer com tanto dinheiro. Para se ter uma ideia, com os R$ 140 milhões, um ganhador pode ter uma renda mensal de R$ 700 mil mensais aplicando na caderneta de poupança ou comprar 5,6 mil carros populares.
O sonho de melhorar de vida com a Mega Sena se junta à esperança de algo melhor nesse ano que acaba de se iniciar. São também milhões de sonhos, desde os mais absurdos até os mais simples, como casar, ter filhos, conseguir um emprego, comprar um carro melhor.
E junto com nossos desejos vêm nossas promessas. Parar de fumar, emagrecer, mudar de emprego, arrumar um namorado, casar, retomar alguma amizade perdida, ser mais solidário, fazer voluntariado, não brigar mais com ninguém, ter mais bom humor... São mil promessas que fazemos na esperança de que vamos cumpri-las. O começo do ano é mestre em tirar da gente os melhores instintos.
Os sonhos da Mega Sena podem ser conseguidos com sorte. Afinal, são milhões apostando e acreditando que vão ganhar. Mas, para cumprir nossas promessas, o mais importante é ter força de vontade. Ou melhor, muita força de vontade, dependendo do que foi prometido. E essa força de vontade surge no dia-a-dia, quando nossos obstáculos surgem e vamos desviando ou destruindo-os com a força que caracteriza os vencedores.
Também já fiz mil promessas e mil vezes desisti no meio do caminho. Porém, uma coisa eu me proponho a cada fim de ano: ser uma pessoa melhor. Não falo em ser perfeita, falo em tentar, a cada dia que passa, ser melhor para as pessoas que convivem comigo e para o mundo em que eu vivo. Posso dizer que é um exercício bastante difícil, até porque tenho mil defeitos, mas vale muito a pena. E gostaria que mais pessoas tentassem agir assim: melhorar sempre, a cada ano que passa.
Que 2010 seja um ano em que todos reflitam e, antes de prometerem perder mil quilos ou parar de fumar, prometam ser pessoas melhores para que o mundo também seja melhor. Que venha um novo cheio de amor nos corações de todos!
Ah! Talvez, quando lerem essas linhas... eu seja uma nova milionária da Mega Sena!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Uma bela história de amor

Era para ter postado ontem... mas tá valendo!

Hoje é Natal e nada melhor que esse dia para falar sobre o amor, esse sentimento tão belo que parece atingir seu ápice nesta data, quando as famílias do mundo todo se reúnem para celebrar o nascimento de Cristo, trocar presentes e rever entes queridos. Não pretendo aqui falar do amor de Jesus, mas sim de um amor terreno e muito bonito entre duas pessoas que esperou 17 anos para ser unido. Uma bela história de amor, que tive a honra de acompanhar e ver, no sábado passado, a sua concretização em uma linda cerimônia de casamento.
Luciana e André se conheceram quando ela tinha 13 e ele 17 anos. Desde o primeiro momento em que se viram, ambos começaram a se amar. Porém, naquela época, achavam que o que os unia era uma bela amizade, solidificada principalmente pela religião, já que ambos são católicos praticantes. E, o que poderia ser um grande amor, foi deixado de lado.
Foram precisos 17 anos para que eles vissem que se amavam. Durante esse período, Luciana casou, se separou, divorciou, e entrou com um pedido na Igreja Católica para que seu casamento fosse anulado. André abraçou a vida religiosa, virou padre, celebrava missas e tudo indicava que jamais sairia desse caminho.
Eu acredito que o amor vence tudo. Ele vence doenças, vence tristezas, vence até mesmo a morte, pois quando somos amados, mesmo com a partida da pessoa querida, conseguimos superar essa perda ao lembrarmos o amor existente entre nós. E, nesse caso, o amor venceu muitos obstáculos. O principal deles foi, é claro, a renúncia de André à vida religiosa. E, para quem não o conhece, que fique claro: ele abandonou a batina, e não sua fé em Deus. Muito pelo contrário: essa fé se mantém cada vez mais forte, para ambos, por concretizarem seu amor.
O casamento dos dois foi a cerimônia mais bonita que já vi em minha vida. O que seria apenas um evento civil teve a bênção de três padres que, sem paramentos e nem desrespeito à Igreja, apenas falaram belas palavras sobre a importância do amor que uniu aquele casal. Mesmo sem o ritual católico, acredito que todos os presentes sentiram-se abençoados com as palavras ditas pelos três religiosos e com a energia amorosa que emanava do casal.
Sábado passado eu mais uma vez tive o privilégio de vivenciar o verdadeiro amor. Aquele que vence barreiras e une as pessoas. Aquele que Jesus pregou quando esteve entre nós, e que muitas vezes esquecemos de colocar em nossos corações. E que hoje, quando mais uma vez comemoramos o seu nascimento, esse amor realmente surja em nossos corações com toda força. Porque esse amor é que traz a felicidade, e todos merecemos ser felizes. Feliz Natal a todos!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Espírito de gastar

Chegamos mais uma vez ao fim do ano e todo mundo já começa a falar no famoso “espírito natalino”, em confraternização, amor, paz, companheirismo, perdão... Em todos os sentimentos bonitos que deveria haver em nossos corações durante o ano todo, mas que parecem ficar submersos em algumas pessoas e surgir com toda força apenas nessa época.
Observando o centro e o shopping essa semana, vi a multidão de gente dentro das lojas comprando presentes para a família toda, amigos, conhecidos, a manicure, a empregada, e quem mais for merecedor de um agrado especial. Cheguei a uma conclusão engraçada: na verdade, o que toma conta da gente nessa época do ano é o espírito de gastar. Seja com a gente mesmo, seja com o outro, parece que esperamos as festas de fim de ano chegar para justificarmos nosso desejo de consumir sem freios.
Claro que o reforço do décimo terceiro ajuda (e muito) para que esse espírito aflore com bastante força. Ao invés de guardar o dinheiro extra ou quitar dívidas, a maioria prefere investir em presentes para todo mundo. E não importa se o presente é caro ou apenas uma lembrancinha, o que vale é o prazer de ver a pessoa agradada com um largo sorriso no rosto quando abre o pacote.
Como consumista assumida que sou, digo que gastar realmente dá prazer. Esta semana fui comprar os presentes dos meus pais e jurei a mim mesma que só gastaria com eles, e mais ninguém. Em menos de duas horas no shopping, acabei comprando os deles e mais dois pares de sapatos (meu vício), com a justificativa de que “trabalho muito e mereço um agrado”.
Escolher os presentes também dá muito prazer. Ficar pensando naquilo que vai surpreender, tentar sair do lugar comum, imaginar o que pode agradar a pessoa presenteada e ficar na expectativa até a entrega do mimo traz uma sensação gostosa. Afinal, quem não fica feliz ao perceber que uma pequena lembrança traz alegria a uma pessoa querida?
Mas é uma pena que somente nesta época o espírito de presentear aflore com toda força. Sempre esperamos uma ocasião especial para dar agradar aqueles a quem amamos. E esses, por sua vez, também esperam apenas receber presentes em datas especiais, como o Natal ou aniversário.
Talvez devêssemos deixar que o “espírito de gastar” tomasse conta de nós mais vezes durante o ano. Não estou sugerindo a todo mundo que se endivide, mas que não deixe passar a chance de mostrar o quanto gostamos de alguém quando podemos. E não estou falando apenas de gastar dinheiro, mas sim de esbanjar amor, paz, companheirismo, perdão, em todos os meses do ano. Não precisamos esperar o Natal para sermos generosos. A receptividade a esse tipo de sentimento está em alta todos os dias.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Dois pesos, duas medidas

Se tem algo que me deixa profundamente irritada são as pessoas “dois pesos, duas medidas”. Estou falando daqueles que mudam de opinião conforme a situação, ou de acordo com a pessoa de quem se está falando. Eles preferem sempre estar em cima do muro ou, pior, mudam de conceitos quando podem ver uma vantagem em cima disso.
Uma vez estava num bar com umas amigas e uma delas estava saindo com um cara que namorava. Até aí, problema dela, e não meu. De repente entra uma garota que estava saindo com o namorado de uma amiga nossa. Todo mundo começou a criticar essa outra menina: que ela era uma vagabunda, uma “piranha”, que onde já se viu, e por aí afora. Nesse ponto eu falei: “Desculpem, mas a nossa amiga aqui também sai com um cara que namora. Qual a diferença entre elas duas?”. Óbvio que se criou um mal estar, mas uma delas prontamente respondeu: “Mas é outra situação. O namoro desse cara está péssimo, e o da nossa amiga está bem.” Se estava bem mesmo, acredito que ele não sairia com outra pessoa. Vi então que nem adiantava discutir: enquanto a “amante” era nossa amiga, havia justificativa; quando a traída era nossa amiga, a “outra” era vagabunda.
E vejo diariamente comportamentos assim. Quando eu atraso, é desconsideração; quando o atraso é do outro, qual o problema? Quando eu erro, é falta de vontade de fazer bem feito, quando o outro erra, é porque todo mundo é passível de erros. Quando digo “eu” quero dizer qualquer pessoa que passe pelas mesmas situações e se sinta incomodado com isso.
A frase que mais ouço nesses casos de “dois pesos e duas medidas” é a seguinte: “você tem de entender o outro”. Concordo, mas por que sempre a gente que tem de entender o outro? Por que o outro não tem de nos entender? Porque o erro dos outros é sempre menor do que o nosso?
Sou considerada radical por muitos amigos porque meu posicionamento sempre é o mesmo em relação a muitos assuntos. Se acho algo errado, acho errado para mim, meus pais, minha família, meus amigos, meus colegas de trabalho. Não costumo achar um comportamento errado de acordo com quem está cometendo o erro.
Mas sempre fico espantada em ver que ter princípios e segui-los é considerado radicalismo. Manter as opiniões, independente do que ou quem esteja sendo julgado, é ser oito ou oitenta. Prefiro ser chamada de radical a mudar meus pensamentos a cada dia. Para muitos, trocar de posicionamento conforme interesses pessoais é ser “ponderado”. Para mim, nesse caso, ser ponderado é não ter opinião própria e ser fraco. E fraqueza não combina com caráter.

sábado, 28 de novembro de 2009

Emoções que vivi... chorando e sorrindo!

“São tantas emoções”. E são mesmo. Ontem realizei um sonho: fui ao show de 50 anos de carreira do Roberto Carlos. Não nego que sou fã do Rei, adoro suas músicas, principalmente as das décadas de 70 e 80 quando, mesmo criança, já ouvia e ficava encantada com as letras que hoje vejo que não entendia nada em suas mensagens subliminares.
Mal a orquestra iniciou os primeiros acordes de “Emoções”, não me segurei e comecei a chorar. Tanta emoção assim por causa do Rei? Também, mas todo um contexto fez passar um filme em minha cabeça: estava realizando um sonho antigo, e pensando em quantos obstáculos em minha vida eu havia superado e que, há poucos mais de um ano, eu não tinha certeza se teria condições físicas para assistir um espetáculo desses.
E Roberto Carlos vale o que significa. Maior prova estava na mistura do público: adolescentes em meio aos sessentões, todos juntos cantando os sucessos antigos da Rei. Um grito de “lindo” às vezes se destacava na multidão, vindo de alguma mulher mais entusiasmada com aquele senhor de 68 anos que tão bem soube (e ainda sabe), em suas mais de 500 composições, cantar o amor, a mulher, a família, e até mesmo a fé, característica sua famosa por seu catolicismo devoto.
A sincronização entre seus gestos e as imagens do telão impressionava pelo profissionalismo de sua equipe. A orquestra, que sempre merece um destaque carinhoso em seus espetáculos, mostra em cada música porque o acompanha há tantos anos. E Roberto conversa com a plateia como se estivesse compartilhando segredos com um velho amigo.
Difícil descrever qual seria o ápice do show. A própria entrada dele já emana uma energia que contagia e faz arrepiar. Para as mulheres, o sonho de pegar uma rosa começa a se materializar quando os seguranças saem das laterais do palco, deixando o vão existente entre as primeiras mesas e o cantor livre para que elas se posicionem. As mãos estendidas, elas esperam uma das cerca de 200 flores, entre vermelhas e brancas, que ele carinhosamente beija e atira à multidão, ou coloca na mão de uma felizarda.
Para finalizar: como imprensa, fiquei num camarote longe do palco, e nem em sonho poderia estar na multidão para disputar uma das rosas. Na saída, ao chegar ao carro da reportagem, encontro a americanense e fã do Rei Eliane Corral, uma privilegiada que conseguiu duas flores. Ao ver isso, brinquei que ela deveria me dar uma pétala. “Não, eu vou te dar uma rosa. Pode escolher”. Escolhi a branca. Foi emoção demais, entre “tantas emoções” de uma noite inesquecível.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Nada é tão ruim...

... que não possa melhorar. Sim, a verdade é essa. Estamos acostumados a ouvir que “nada é tão ruim que não possa piorar”. E tem momentos em nossas vidas em que isso parece a mais pura verdade, quando muitas coisas começam a dar errado ao mesmo tempo, e a cada dia que passa uma novidade negativa mina nossa vontade de reagir.
E não reagir é muito, mas muito mais fácil, do que buscar uma saída para o que nos incomoda. É mais cômodo ficar reclamando, estressado, estressando todo mundo em volta, do que levantar a cabeça e dizer: sou mais forte que isso. Fico muitas vezes nisso, e tenho consciência de que a pessoa mais atingida por esse comportamento sou eu mesma.
O mais interessante é perceber que, quando uma fase ruim se inicia em nossa vida, nada parece mais ser legal. Se o relacionamento amoroso vai mal, o trabalho passa a ser um sacrifício, o convívio com os amigos uma tortura, as reuniões familiares um tédio. Se o problema é no trabalho, saímos da sala para sentar em outro lugar e falar sobre isso, trazendo muitas vezes para a mesa do bar aquilo que devíamos ter deixado para trás quando batemos o cartão de ponto. Se o stress é familiar, ao invés de darmos um tempo dos encontros rotineiros, vamos a eles já nervosos ante à perspectiva de um fim de semana estragado.
Deixamos de perceber que existem muitas coisas boas acontecendo ao nosso redor. Um bate papo descontraído com os amigos não merece mais nossa atenção, nem aquele momento de carinho com a pessoa amada. E ficamos reclamando, reclamando, reclamando, sem parar, mas sem também mudar.
Mas chega o momento em que a luz da razão acende e, quando isso ocorre, temos de decidir entre continuar reclamando ou sair desse ciclo. Sair da posição cômoda de vítima das situações e entrar no papel de senhor delas é difícil. E falo que é difícil para todo mundo. Vemos aquelas pessoas que parecem não ter medo de nada que é desconhecido e pensamos: como elas conseguem?
Pois essas pessoas têm medo sim, e tanto quanto a gente. Medo da mudança, das consequências de se arriscar em um novo futuro, de se deixar para trás aquilo tudo ao qual nos apegamos e acostumamos quando temos a vida aparentemente organizada. A diferença é que esses corajosos veem o medo não como um inimigo indestrutível, mas como um desafio que pode ser vencido.
Reclamar faz parte da vida. Achar que tudo está dando errado também. Mas o que não faz parte, e nem deve nos dominar, é a posição de acomodados que tão bem nos serve quando pensamos nos riscos que temos de correr. Para isso, temos sempre ao nosso lado pessoas mostrando que vale a pena arriscar. Basta seguir o bom exemplo. Afinal, para ser o coitadinho, há muita concorrência.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O ápice da vulgaridade

Essa semana estava indo trabalhar e liguei o rádio para me distrair. Gosto de ouvir a Jovem Pan e por acaso estava no horário do Pânico. Peguei a entrevista pelo meio e ouvi umas garotas de um grupo de techno brega (o que é isso?) chamado As Apimentadas falando sobre sua “carreira”.
Sem falso moralismo, achei que o que estava ouvindo era o ápice da vulgaridade. A música de lançamento das moças chama “Melô da Cadelinha” e a letra é o maior hino que vi até hoje à submissão e humilhação de uma mulher. Pode até ter gente que vá ouvir e achar que no fundo, no fundo, toda mulher gosta mesmo de ser uma cadelinha, mas aí vai da concepção que cada um tem de si e do respeito que busca perante os outros.
Para melhorar, o clip das garotas foi feito em pleno Centro de São Paulo, com todas nuas. E a ideia nem é original, porque um grupo na França já fez a mesma coisa! Com uma diferença: lá, não houve tumulto por causa das mulheres sem roupa na rua. Aliás, achei isso até interessante, porque no Brasil, onde andar quase sem roupa é visto com naturalidade, nos últimos tempos temos visto que os homens não sabem mais se comportar quando se defrontam com uma mulher nua.
E o melhor era o tom da entrevista. Porque, no fundo, elas sabem que estão na onda da vulgaridade. Sabem que a música é vulgar, que o clip é vulgar, que a maneira como se comportam é vulgar. Mas querem justificar dizendo que estão buscando um espaço para um grupo “sensual”, com um toque diferente... O pessoal do Pânico chorava de rir durante a entrevista. Será que elas não percebiam realmente o quanto estavam sendo ridicularizadas todo o tempo do programa?
Fiquei mesmo pasma com tudo que ouvi. E mais pasma ainda fico em ver o quanto de espaço esse tipo de mulher tem na mídia. São os famosos exemplos de celebridades instantâneas tão comuns nos dias atuais: fazem uma música, aparecem em vários programas de televisão, posam nuas em revistas de grande circulação... e somem. Mas deixam aí a mensagem para muitas garotas: usem o corpo o quanto puderem, e esqueçam estudo, isso é para os otários. Uma pena que muitas ainda ouçam esse tipo de conselho, em alguns casos até mesmo incentivadas pelos pais.
Vamos ver quanto tempo o “Melô” estará em alta. Meu consolo é saber que esse tipo de lixo (porque é realmente um lixo) acaba logo sendo esquecido, e substituído por outra música tão ou mais vulgar, que logo some, e vem outra, e assim sucessivamente. Uma vergonha para um País onde nomes como Tom Jobim e Chico Buarque nos mostram que a poesia, para ser bonita, não precisa de vulgaridade nem da ausência de roupas. Precisa apenas de sensibilidade.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Um caos longe de terminar

O Brasil ficou chocado, há pouco mais de um mês, com a notícia de que um jovem de 17 anos, portador de problemas mentais, teve todos os seus dentes arrancados por um dentista, quando a indicação era de apenas duas extrações. Essa semana, para mais espanto de todos, foi divulgado que este seria o terceiro caso em que o dentista Wilson Oliveira Santos, de Brasília, havia realizado o mesmo procedimento, sem a menor necessidade. Detalhe que deixa a história mais absurda: os outros pacientes também teriam retardo mental.
O caos na saúde pública é notório e, desde que me entendo por gente, faz parte das notícias cotidianas de todos os órgãos de imprensa, seja em âmbito local quanto nacional. O que os casos acima trazem à tona, mais uma vez, é o desrespeito de alguns profissionais de saúde com aqueles menos favorecidos tanto financeiramente quanto em termos de educação.
E esse desrespeito é visto em todas as áreas. É o dentista que arranca todos os dentes sem necessidade, o médico que não explica de maneira simples os sintomas de uma doença ao paciente, o enfermeiro que não tem paciência quando o doente tem medo de uma injeção ou de algum procedimento. Uma situação que ainda está longe de terminar porque, infelizmente, as pessoas acabam aceitando esse comportamento sem questionar ou então achando que, “como é de graça”, é assim mesmo. Na verdade, elas esquecem que o serviço público não é feito de graça: ele é cobrado através de impostos muito bem pagos pela população.
Mas, nesse meio tão cruel com o povo, vemos alguns profissionais de saúde que merecem nosso aplauso e respeito. Quando estive em tratamento no ano passado, fazia quimioterapia no Centro do Câncer Francisco Cunha Filho, em Piracicaba. Cito nome completo porque, a despeito do que se diga da saúde pública, aquele local é um oásis cheio de boa vontade no meio de um deserto.
A paciência, o respeito, o carinho e o amor que todos os profissionais do Centro dedicavam aos pacientes era impressionante. E isso valia para todo mundo: quem tinha convênio e quem era do SUS. Nunca fui passada na frente de outra pessoa, nem vi aquelas enfermeiras perderem a paciência um segundo sequer com alguém que se recusava a fazer a quimio. Com carinho, elas convenciam o paciente da necessidade do tratamento. E esse carinho era observado também nos médicos que, apesar de lidarem com o sofrimento e a perspectiva de morte no dia-a-dia, não deixavam de trazer a todos a esperança.
Talvez isso esteja faltando em nossos profissionais que lidam com os menos favorecidos: carinho e paciência. Tratar de quem conhece seus problemas de saúde é fácil, mas atender a quem necessita não somente da Medicina, mas de conhecimento, pode ser mais trabalhoso. Esse é o verdadeiro desafio aos profissionais da saúde hoje: saber unir esse dois mundos, dando a eles o seu merecido respeito. Enquanto isso não acontecer, o caos que hoje conhecemos estará longe de terminar.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O ócio bem aproveitado

Feriados prolongados são ótimos para a gente descansar, viajar, visitar amigos, passear, inventar mil programas. Pelo menos essa é a concepção que muita gente tem quando se programa para aproveitar os dias de folga. Enfrentar horas de trânsito, ficar numa casa de praia cheia de gente e encarar lugares turísticos lotados parece ser um prazer para quem espera com ansiedade todos os feriados do ano.
Sou diferente. Feriado, para mim, é a chance de descansar do dia-a-dia. Posso até viajar, mas com certeza não é para nenhum lugar lotado em que o pedido de uma cerveja vai demorar meia hora para ser atendido. Esse feriado, assim como muitos outros, passei em casa lendo, assistindo filmes e seriados, batendo papo com amigos do MSN, enfim, realmente descansando.
Ontem um amigo me perguntou o que eu havia feito e, quando descrevi meus dias, veio a exclamação:
- Mas então você não fez nada?
Achei interessante a colocação dele. Assistir oito filmes (que normalmente não tenho tempo de fazer por causa da correria rotineira), ler livros que estavam esperando a chance de serem abertos e conversar com pessoas que nunca encontro online porque temos horários diferentes, na concepção desse amigo, é não fazer nada. Ele havia ido para praia, enfrentado um congestionamento, demorado cinco horas (num trajeto que normalmente levaria três), ficado numa casa com sei lá mais quantas pessoas (pelas fotos parece um acampamento de guerra), feito o caminho de volta em seis horas, e disse que estava morto, mas que havia valido a pena. “Ah, eu realmente aproveitei a minha folga!”
Aí me vem aquela reflexão clichê sobre a natureza humana. O que para ele havia sido um programa ótimo, para mim seria um inferno na terra, já que eu não gosto de praia, nem de calor, e muito menos de me amontoar em uma casa e dormir mal acomodada. Esse é meu jeito. Mas não critico quem goste desse tipo de programa.
Fico espantada em ver que as pessoas acham que um fim de semana passado em casa, sem fazer nada, é desperdiçado. A necessidade de sempre haver uma programação causa até mesmo um stress. Vejo amigos que se angustiam se, chegando a quinta-feira, ainda não têm nada planejado para o fim de semana todo. Quando é feriado então, se não há viagem marcada ou algo do gênero, o stress fica maior ainda. Já cheguei a escutar alguns falarem que, para ficar em casa, preferiam estar trabalhando. Assim, se não dá para cansar na estrada, o feriado não tem graça. Aproveitar o tempo de outra maneira está fora de cogitação.
Acredito que o ócio bem aproveitado também traz descanso à mente. Apesar de não ter saído de casa, viajei por mundos diferentes através dos livros que li e filmes que assisti. Voltei renovada ao trabalho, descansada e, principalmente, enriquecida em conhecimento. Pode ser que, para muitos, eu tenha desperdiçado dias que seriam mais aproveitados em uma viagem. Para mim, a viagem interior foi perfeita e me fez bem. Com um adicional: não enfrentei um trânsito de horas para chegar em minha casa. A minha mente foi minha estrada.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Beleza que não se põe em mesa

Dias desses atrás li em algum lugar na internet que os brasileiros poderão em breve se cadastrar em um site de relacionamentos onde só entram pessoas bonitas. Criado na Europa, o site já tem atualmente cerca de 180 mil membros. O critério usado para definir quem entra ou não é bem “democrático”: o candidato manda duas fotos, os atuais membros votam e decidem se ele (ou ela) é bonito(a) o suficiente para figurar em suas páginas.
O criador do site defende sua ideia: afinal, nada melhor do que juntar em um espaço só pessoas que definitivamente são atraentes, sem dar nenhuma chance àqueles que não se encaixam no padrão ideal (?) de beleza de participarem do espaço.
O mundo hoje está vivendo um momento paradoxal quando falamos de beleza física. Ao mesmo tempo em que a mídia impõe um padrão raro de ser alcançado – afinal, Gisele Bündchen é uma entre um milhão – ela está também tentando fazer as pessoas entenderem que a beleza física não é tudo. Pode ser importante, mas nem sempre o principal quando falamos de relacionamento.
Já vimos mulheres lindíssimas com homens cuja beleza estava longe de ser aquilo que a imprensa apregoa como ideal. Como também já vimos homens com mulheres acima do peso, mais velhas, até mesmo deselegantes, mas totalmente felizes em seus relacionamentos. E, nesses casos, o que conta para a felicidade não é a ausência de celulite ou a perfeição do rosto. O que conta é o tipo de beleza que não se põe a mesa: a beleza da cumplicidade, do companheirismo, do amor verdadeiro.
Uma vez li uma frase que me marcou muito: “Case-se com quem você possa conversar bastante. Afinal, na velhice, é isso que vai restar”. Isso é uma verdade absoluta. Pernas lisinhas, seios empinados, tórax bem definido – tudo isso um dia vai embora, por mais que plásticas e exercícios físicos possam retardam esse processo. Prestem atenção: retardar, e não impedir o envelhecimento.
Não estou aqui defendendo que todo mundo fique relaxado e não se cuide. É claro que, num primeiro momento, o que nos chama atenção em uma pessoa é sua aparência física. Mas o restante é importante para sedimentar uma relação: a conversa, o caráter, o companheirismo, a fidelidade. De nada adianta uma beleza impecável envolvendo um espírito desprovido de qualquer qualidade. Por mais que a beleza possa ser atraente, a falta de qualidades acaba cansando a maioria das pessoas. A não ser aquelas para quem a aparência física é tudo. Mas, para essas, valores como o amor e companheirismo são meros acessórios quando comparados à necessidade de mostrar o “troféu” que está sendo exibido como marido ou esposa. Uma pena para elas.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O individualismo em alta

Acho que todo mundo conhece alguém individualista. Aquela pessoa que, se deixar, joga serviço nas costas dos outros, enrola, e não está nem aí para ninguém. E nem falo que ela prejudica os outros intencionalmente. É que, para ela, os demais simplesmente nem existem.
Esse individualismo em alta está hoje presente em todos os lugares: naquela vaga de deficiente físico ou idoso ocupada por alguém perfeitamente normal, na pessoa que chega de mansinho e fura a fila, nos motoristas que estacionam de qualquer jeito, ocupando duas vagas e se lixando para aqueles que também precisam parar no mesmo lugar.
Ontem fui ao banco e vi um exemplo claro desse individualismo. Havia apenas dois caixas para depósito funcionando, e um estava sendo usado por pessoas que não sabiam operar o sistema e estavam sendo ajudadas por uma funcionária. Assim, restava apenas um caixa em operação. O banco nem estava cheio, devia ter apenas umas quatro pessoas na fila, e na minha frente havia um homem esperando sua vez. No caixa estava uma mulher. Notei que ela estava demorando e imaginei que devia ter vários envelopes a depositar. Quando prestei atenção, vi que ela estava sossegadamente contando o dinheiro do depósito e nem havia preenchido o envelope. Aí ela parou, foi até a funcionária, pediu para trocar uma nota, voltou ao caixa, recontou o dinheiro e somente então começou a fazer seu envelope. Todo mundo na fila estava com o depósito pronto. Essa mulher ficou ocupando o caixa por cerca de dez minutos sem fazer absolutamente nada! Sim, porque contar dinheiro e preencher envelope a gente faz no balcão, e não na boca do caixa eletrônico, quando há pessoas atrás esperando. O tempo que ela usou ali seria o tempo que quem estava na fila demoraria para fazer seus depósitos. Mas, na ânsia de não perder seu lugar, ela nem se preocupou com isso. O importante é que ela estava em primeiro lugar, é claro!
Fato similar aconteceu outro dia no horário de almoço. Estávamos eu e uma amiga de trabalho na fila, que estava um pouco desorganizada, mas ainda assim era possível ver onde ela começava. Uma mulher apareceu e simplesmente entrou na frente da minha amiga, como se a gente nem estivesse na fila. Ela deve ter ganhado uns 30 segundos, se muito, de tempo em sua vida fazendo isso. Como ela não entrou na minha frente, não falei nada. Mas percebi que minha amiga não gostou nem um pouco do que tinha acontecido.
E aí vejo que esses individualistas são assim porque nós deixamos. Quando alguém fura a fila, vejo que todo mundo fica incomodado, mas raros são aqueles que mandam a pessoa voltar ao seu lugar, ou seja, atrás de todo mundo. Quando alguém perfeito usa a vaga do deficiente físico também é raro uma pessoa ir lá e mandá-lo tirar o carro de lugar. E quando uma folgada fica ocupando um caixa eletrônico sem fazer nada, os outros esperam pacientemente, no máximo resmungando em voz baixa.
E por que isso? Porque fomos criados em uma sociedade onde reclamar não é costume. Quem reclama normalmente é o estressado, o barraqueiro, o encrenqueiro. E falo por mim, porque eu jamais deixo alguém furar a fila em minha frente. Segundo meus amigos, eu me estresso à toa. Mas acho que me estresso mais se ficar vendo essas coisas absurdas acontecerem e não fazer nada. Esse comodismo tão comum a muita gente é que possibilita o aumento cada vez maior dos individualistas. E para mim, pior que quem age assim, são os que se omitem e preferem deixar tudo para lá. O comodismo é uma praga que, para ser eliminada, precisa de muita atitude. Infelizmente, essa mudança de mentalidade ainda não faz parte do nosso cotidiano.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O incômodo dos infelizes

Tenho pena de pessoas infelizes. Não estou aqui falando de pessoas com dificuldades financeiras, de saúde, de relacionamento, enfim, daquelas que realmente têm algum motivo para estarem infelizes. Estou falando daquelas que, com todas as chances do mundo de serem felizes, optam por viver de mau humor, sem dar um sorriso e, pior de tudo, se incomodando com a felicidade alheia.
Acho que todo mundo conhece alguém assim. Aquela pessoa que não pode ver o outro satisfeito e, se possível, faz alguma coisa para estragar essa alegria. E esses infelizes existem em todo lugar: na família, no trabalho, no círculo social de amigos. Mas o que eles não sabem é que, ao contrário da felicidade, que pode ser contagiante, a infelicidade “não pega”.
Conheço algumas figuras assim. Parece que acordam com o mundo contra si e decidem, assim que levantam, que vão viver carrancudas, sem sorrir e, de preferência, achando alguma maneira de prejudicar aqueles que, a seu ver, estampam uma felicidade perene. Fico imaginando a hora em que essas pessoas se deitam... Devem olhar para o teto e pensar: “Bom, como eu sou infeliz, quem vou fazer infeliz amanhã?” E aí perdem tempo e energia se dedicando a, de alguma maneira, querer espalhar sua infelicidade.
Só que, do mesmo jeito que existem esses pobres coitados, podemos ver o outro lado da moeda: aqueles que nascem com o dom da felicidade. E são felizes por nada, ou melhor, por tudo. São felizes por estarem vivos, terem amigos e família, por trabalharem, por realmente viverem. São aqueles que não ficam colocando obstáculos à sua satisfação: “Quando eu casar”, “Quando eu tiver um filho”, “Quando eu comprar um carro”.
Vivemos num mundo em que colocar obstáculos à felicidade é bem comum. Se não tivermos o carro do ano, uma casa, um(a) companheiro(a), filhos, dinheiro no banco... não somos felizes. Assim, prazeres simples são esquecidos em detrimento de ideais que nem sempre são os realmente desejados.
Tive um médico que era o exemplo da felicidade pura e simples. Quando iniciava o trabalho, às 7 da manhã, estava sorrindo e, por volta das 21 horas, quando fazia a última visita, ainda tinha o mesmo semblante. Um dia perguntei qual o seu segredo. Ele me respondeu: “Quando levanto eu me pergunto se quero ter um dia bom ou ruim. E sempre escolho ter um dia bom. Aí está o segredo da minha felicidade”.
Que os infelizes possam acordar e pensar nessa escolha. Entre se incomodar com a felicidade alheia e se preocupar com a própria satisfação, o que é mais prazeroso? É uma questão de opção. Que o bom senso mostre qual é mais vantajosa. Porque ser infeliz é realmente de dar pena. E tem coisa mais triste do que sentir pena de alguém?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O direito de não ser mãe

Admiro as mulheres que sonham em ter filhos. Admiro e respeito esse sonho, muitas vezes realizado uma, duas ou mais vezes, com o nascimento de crianças perfeitas e muito amadas pelo tanto que foram desejadas. Mas, ainda assim, apesar do fato de adorar crianças (e de ser adorada por elas), nunca quis ser mãe. Esse desejo, alimentado por milhões de mulheres em todo o mundo, nunca fez parte dos meus objetivos de vida.
E estou falando de algo que não surgiu agora, mas sempre esteve enraizado na minha pessoa. Quem me conhece bem nunca me ouviu dizer “quando eu tiver um filho...” ou algo do gênero. E o fato de não ter filhos, em minha visão, não me torna mais ou menos feliz do que sou. Apenas sou feliz com minha decisão, sem peso na consciência nem arrependimento por não ter seguido aquilo que, segundo a sociedade, é o destino natural da mulher: ser mãe.
Mas vejo que minha decisão incomoda. Sou muito cobrada por isso. Não por meus pais, que nunca exigiram de mim o padrão “casamento e filhos”, tão comum a todo mundo. Parentes, amigos, colegas de trabalho, enfim, muita gente que me cerca sempre tem essa pergunta na ponta da língua: “Mas você realmente não quer ter filhos?”
Antes eu me sentia meio que alienígena mas, como nunca fui de me deixar pela opinião dos outros, não me martirizava por isso. E a cobrança vem de diversas maneiras. Uma das melhores frases que ouvi sobre o assunto foi a seguinte: “Mas você tem de experimentar a sensação de ser mãe para poder dizer que não gosta”. Certo! Então eu engravido, tenho um filho e, depois de um mês, vejo que realmente a maternidade não é para mim. O que eu faço? Devolvo a criança para quem? Sim, porque filho não é como cachorro que a gente comprar e, se depois se arrepende, passa para alguém que adora animais. Filho é para sempre. E como ficar para sempre com algo que nunca se desejou?
Outra frase ótima é a seguinte: “Mas quem vai cuidar de você quando estiver velha?” Supondo que eu tenho um filho e ele resolve morar na Austrália. “Não, você não pode fazer sua vida longe daqui, por que quem vai cuidar de mim quando eu ficar velha?” Ou seja, vou direcionar a vida do meu filho de acordo com o que eu quero que seja feito, podando assim seus sonhos. E tudo porque, já que dei a ele o dom da vida, fica então a obrigação de cuidar de mim quando eu estiver velha. Não acho que a gente tem filho para garantir um enfermeiro no fim da vida.
Quem nunca viu por aí mães que, se bem observadas, jamais deveriam ter engravidado? Que não cuidam direito das crianças, não têm a mínima paciência, não educam, não possuem aquilo que se chama de “instinto materno”. Eu mesma conheço uma que, mãe de um moleque de três anos, quando chega em festas senta para conversar e não levanta uma vez para olhar se o filho está bem. Nem eu conseguia fazer isso quando estava com minhas sobrinhas pequenas! Onde está o tal instinto dessa mulher?
Hoje as mulheres são cobradas e, quando não correspondem àquilo que se espera delas – maternidade, sucesso na carreira, um relacionamento estável – sentem-se culpadas ou então acham que algo está errado. Ninguém é obrigado a ter filhos se não quer. Eu não chego para minhas amigas dizendo que elas não devem engravidar, e hoje não admito mais ninguém me cobrando que tenho um bebê. Afinal, tenho muitos direitos sobre a minha pessoa. E um deles é o direito de não ser mãe.

domingo, 20 de setembro de 2009

O medo de viver

Morro de medo de barata. Medo não, tenho verdadeiro pavor, um sentimento tão forte que, quando vejo uma, sou incapaz de me mexer. Se ela estiver no meu caminho, deixo de ir até onde pretendia, e procuro me esconder até que alguém a mate. Parece exagero, mas não é. Um dia, conversando com um amigo, ele ficou impressionado com a minha visão das baratas:
- Odeio quando a barata some, sabe?
- Por que?
- Porque quando ela se esconde eu não tenho como me defender.
- Defender do que????? Estamos falando de uma barata, não de um crocodilo!
- Ah... para mim, a barata é um ser mutante!
- Meu Deus, por que isso?
- Ela tem o dom de me paralisar!
Vejo que a maioria das pessoas acha exagero o medo que sentimos de certas coisas. Mas isso é instintivo do ser humano. Eu mesma já me peguei rindo dos medos de outras pessoas. E hoje tento não fazer mais isso. Porque os medos surgem sem que saibamos como, e muitas vezes nos dominam de uma maneira que nos impede de fazer muita coisa.
E aqui não estou falando de medo de barata. Estou falando do medo de viver. Vejo muita gente que existe, mas não vive. Não ama, não sai do emprego que detesta, não tenta fazer aquele curso com que sonha há anos, não assume sua homossexualidade, não termina um casamento estagnado.
Vejo esses medos como a barata que me impede de sair de casa porque está para a minha porta. Qual o poder que ela tem de me paralisar? É um inseto, pequeno, que com apenas uma pisada eu esmago. Ainda assim, muitas e muitas vezes voltei para trás porque ela estava ali, me desafiando. E parece que, quando mais medo a gente tem de uma coisa, mais ela nos persegue.
E o que nos impede de realmente viver? Não vou mais me apaixonar porque posso me machucar, ouço muita mulher falar. Não vai se apaixonar e deixar de sentir aquele frio no estômago quando o celular recebe uma mensagem da pessoa adorada? Deixar de acordar com um beijo na nuca, ou um bilhete no travesseiro dizendo o quanto é amada?
Não vai atrás de outro emprego porque “todos os lugares são iguais”. Será mesmo? Se todo lugar é igual, por que então não tentar e fazer a diferença? Porque não buscar algo além do trabalho monótono e realmente usar sua inteligência e criatividade para uma tarefa prazerosa?
Não termina o casamento porque “e se eu ficar sozinho depois”? Assim, mais fácil ficar num relacionamento fracassado, infeliz (e fazendo a outra pessoa também infeliz), do que tentar encontrar um novo amor ou simplesmente ficar sozinho, mas em paz consigo mesmo. Será que vale a pena dividir a cama com alguém que não faz mais o nosso coração disparar?
Espero que as “baratas” que impedem a todos de realmente viver sejam esmagadas. Eu ainda terei de lidar com elas, mas pelo menos o medo de viver eu já perdi. E isso foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. Quanto a esse inseto asqueroso... um dia eu consigo dar a chinelada certeira e tirá-la da minha porta.

domingo, 23 de agosto de 2009

O perdão e o verdadeiro arrependimento

Hoje vou falar do perdão. Não vou fazer aqui uma apologia às virtudes de quem perdoa ou citar exemplos de perdões famosos, mas sim falar sobre aqueles que não perdoam e, paradoxo total, acabam não sendo perdoados por aqueles que perdoam. Confuso, né? Antes que a frase fique mais complicada ainda, vou me explicar.
Não sou o tipo de pessoa que prega o perdão incondicional. Também não saio aconselhando a vingança ou que todos guardem mágoa, afinal, como dizia Shakespeare: “Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”. Apenas respeito o direito de quem não quer perdoar alguém que o magoou de forma muita intensa. Não acredito que todo mundo tem de perdoar. Acredito que se deve perdoar quando seu coração verdadeiramente sente isso. Perdoar apenas para ficar bem perante à sociedade não vale nada.
Recebo quase todos os dias mensagens contendo histórias sobre o perdão. Conversando com as pessoas, vejo que a maioria delas, pelo menos é o que aparentam, acredita firmemente que perdoar realmente é uma grande virtude. Em todos os casos, percebo o seguinte: quem não perdoa é o ruim, a pessoa de coração duro. Quem magoou, machucou, traiu, passou para trás, roubou, enganou... bom, esse se arrependeu, então está tudo certo.
Traduzindo: a mágoa, a dor, a traição, o roubo, tudo deve ser esquecido num passe de mágica apenas porque o outro decidiu se arrepender. E vamos e convenhamos: alguém aí já viu quem está bem se arrepender de alguma coisa? Alguém já viu o cara que traiu a mulher se arrepender enquanto seu romance com a outra vai bem? Ou o arrependimento surge depois que a coisa degringola?
Podem notar: normalmente o arrependimento surge quando as coisas dão errado. Aí é fácil olhar para trás, ver a burrada feita e pedir perdão a quem foi magoado. O interessante é que aí quem sacaneou passa a ser o bom, e quem não perdoa vira o vilão da história. Ou seja, pode aprontar o que quiser, porque no final, basta se arrepender que está tudo certo: seus pecados serão perdoados, você será bem visto e, a pessoa a quem você machucou, será considerada ruim.
É claro que existe o arrependimento sincero, que vem sem que a pessoa esteja na pior. Eu mesma passei por isso com uma amiga que havia me magoado muito e, três anos depois, muito melhor de vida em todos os aspectos do que antes de termos rompido a amizade, me pediu perdão. Nem acho que eu tinha de perdoar nada, que quem perdoa é Deus, mas voltamos à amizade porque senti sinceridade em seu arrependimento. Mas não é sempre que isso funciona.
Por isso, acho que cabe aqui uma reflexão. Assim como o perdão deve ser sincero, o arrependimento também. De nada adianta se arrepender apenas porque está em uma situação ruim, assim como vale menos ainda perdoar aparentemente, mas manter no coração a mágoa. O mais importante, acima de tudo, é não alimentar no coração o ressentimento. Conseguindo eliminar esse sentimento, já está de bom tamanho. Deus não vai condená-lo por não perdoar a quem te magoou. Quanto ao que os outros acham... Bem, os outros são os outros, e só.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Felicidade realmente contagia

Dia desses saí para trabalhar atrasada e, por consequência, um pouco mal humorada. Nem sei por que estava assim, afinal chegar dez minutos atrasada não ia atrapalhar meu dia nem um pouco, mas esse era meu espírito quando peguei o carro para encarar a estrada. Para melhorar, lembrei que estava no carro do meu pai e que o meu, pela quinta vez em apenas três meses, estava na concessionária. A memória disso aumentou ainda mais meu mau humor.
Ao chegar à rotatória onde passo todo dia, olhei o senhor que sempre está lá vendendo acessórios para carros. Nunca havia me dado conta dele, mas enquanto esperava o sinal abrir, comecei a observá-lo. Ao perceber que eu estava olhando, ele abriu um sorriso enorme e me ofereceu um dos acessórios, dizendo que ficaria lindo em meu carro.
Abri o vidro e expliquei que aquele não era meu carro, mas sim do meu pai. E a resposta veio com outro sorriso:
“Mas então é seu, porque tudo que é do pai pertence ao filho”.
Agradeci, disse que no momento não precisava de nada, e ele, ainda sorrindo, me desejou um bom dia de trabalho e que Deus me abençoasse.
Quando o sinal abriu meu bom humor já estava de volta. Fiquei pensando naquele senhor, que deve ter quase 70 anos, com seu carro simples, mas muito bem cuidado, seus acessórios caprichosamente pendurados, e aquele sorriso cativante mostrando uma felicidade pura. Nada de reclamação, nada de lamentação por ainda estar trabalhando, quando já deveria estar desfrutando de uma aposentadoria tranquila.
E vi que felicidade realmente contagia. Eu já tinha essa concepção, mas aquele homem me fez ter certeza de algo em que eu já acreditava e tentava fazer os outros acreditarem. Todos os dias, ao passar naquele lugar, fico olhando para ver se ele já chegou. Engraçado que depois daquele dia nunca mais coincidiu de o sinal fechar quando chego. Mesmo assim, sempre o vejo conversando com alguém. Hoje mesmo o vi, e ele estava sentando em uma cadeira dobrável, lendo o que me pareceu uma Bíblia.
Não sei se ele sabe o quanto mudou meu humor naquele dia. Nem sei se ele sabe o quanto sua felicidade é contagiante. Mas sei que a sua figura, diariamente, me inspira a ser feliz. Porque felicidade, apesar de muitos não acreditarem, é muito mais fácil de ser conquistada do que a gente imagina. Basta ser feliz!

domingo, 19 de julho de 2009

Maravilhoso presente de Deus

Amanhã é Dia do Amigo. Acho a data apenas simbólica, porque todo dia é dia do amigo. E isso falo porque tenho muitos amigos. Estejam eles longe, perto, ao lado, por telefone, no msn, no orkut, seja lá onde for... Eles sabem que estou aqui, para o que der e vier. E eu sei que posso contar com eles.
Outro dia uma pessoa me disse que “amigo de verdade é chato prá caralho”. Concordo. Amigo mesmo, de verdade, é aquele que está sempre ao nosso lado, mas não sempre passando a mão em nossa cabeça para toda cagada que fazemos. É aquele que arrisca a amizade mas abre o jogo quando vê que o outro está sendo feito de idiota pelo namorado, noivo, ou por outro amigo. É aquele que, mesmo quando encontra o grande amor de sua vida, pode até se afastar, mas não esquece daqueles que sempre estiveram ao seu lado enquanto ele estava sozinho.
Eu poderia ficar horas aqui dizendo o que é ser amigo, na minha concepção. Como também poderia ficar horas falando sobre o que não é ser amigo. Mas eu quer o falar de algo maravilhoso que me aconteceu hoje: eu ganhei um presente de Deus, para celebrar o Dia do Amigo.
Hoje recebi um convite de uma mulher para me adicionar no orkut. Essa mulher, que não vejo há mais de 20 anos, foi uma grande amiga no ginásio e no colegial. Depois disso mantivemos contato durante alguns anos, cheguei a mandar meu convite de formatura para ela... e simplesmente deixamos de nos escrever por um daqueles descuidos que depois lamentamos.
O mais legal foi termos conversado então pelo msn. Parecia que a gente tinha se falado ontem! Durante todos esses anos ela me procurou e eu a procurei, e nada. Quando entrei no orkut foi um dos primeiros nomes que cacei, e nada. E ela morando em Sampa há 11 anos, aqui do meu lado! Só para esclarecer: estudamos juntas em Pernambuco, quando eu morei na divisa com a Bahia.
Todo esse tempo e ela aqui... Não vou negar que chorei, porque chorei mesmo ao ler a mensagem dele, que morria de saudades e estava me procurando há tempos. E nossa conversa foi recheada de risos, de uma querendo contar para a outra tudo ao mesmo tempo, de emoção... De tudo aquilo que caracteriza a verdadeira amizade, que não se apaga com o tempo ou distância.
Esse foi meu presente de Deus. Agora já estamos planejando nosso encontro pessoalmente... Tem coisa melhor que saber que deixamos nossa marca em alguém que não encontramos há 22 anos? Esse é o amor de amigo: não acaba, não some... Pode ficar adormecido mas, quando despertado, volta em toda sua plenitude.
Que todos os meus amigos, hoje e sempre, saibam que meu coração está cheio de marcas: de carinho, de respeito, de amor, de compreensão, de companheirismo. Feliz Dia do Amigo!

sábado, 11 de julho de 2009

Intimidade escancarada

Odeio gente que fala demais. Opa! Calma, quem me conhece deve até ter engasgado agora, afinal eu mesma falo mais do que o “homem da cobra”.
Na verdade o que eu odeio é gente que aproveita a fila do banco, da loja, do ônibus ou de qualquer situação em que haja uma pessoa perto para começar a contar desgraças e perguntar sobre todos os detalhes da minha vida. Pior, para falar até mesmo sobre assuntos somente comentados com a melhor amiga ou, quando muito, com Deus, de tão embaraçosos que são.
Não entendo pessoas que sentem essa necessidade de falar e perguntar sobre os temais mais íntimos possíveis a quem quer que seja. Aliás, normalmente esses seres humanos sequer estão pensando se o ouvinte está mesmo disposto a agüentar essa “verborragia”. E contam e perguntam sobre doenças, o marido, os filhos, os problemas dos filhos... E o assunto rende na fila, que normalmente demora, ou naquela viagem de ônibus que teoricamente deveria durar meia hora, mas se prolonga por uma hora e meia quando encontramos esses tipos.
Sempre me surpreendi com esse comportamento. Mas há cinco anos tive uma experiência que me mostrou o quanto as pessoas, nas situações mais difíceis possíveis, podem ser inconvenientes. Nessa época fui operada três vezes. Morava em Araraquara mas, como o equipamento que iriam usar em minha cirurgia estava quebrado, tive de ser operada em São Carlos. A coisa era simples, entrava no fim da tarde de um dia e saía no outro. Apenas uma injeção de contraste me obrigava a entrar no hospital na véspera da cirurgia.
Como tudo era simples, decidi não trocar o quarto coletivo que meu plano dava pelo particular que meus pais queriam pagar. “Ah não, é só hoje à noite e amanhã vou embora, para que pagar toda a diferença?”, meu (enganado) senso me dizia.
E fui tomar o bendito contraste, uma “pequena” injeção dada no bico do seio que me deixou atordoada demais até mesmo para chorar de dor. Cheguei ao quarto e minha companheira de infortúnio era uma senhora de mais de 80 anos, meio surda e que estava dormindo. Como minha mãe iria dormir no quarto comigo, disse a ela para jantar porque só iriam servir para mim aquela comida horrorosa pré-operatória.
E fiquei sozinha com a senhora. Estava quase cochilando quando entra a filha dela, uma mulher na faixa de uns 60 anos. Cumprimenta a mãe, conversa um pouco, mas é claro que a curiosidade de saber quem era a companheira de quarto era muito maior do que a noção de que eu estava pálida e com dor.
- Boa tarde. Você está internada aqui?
“Não, sua idiota. Eu estava passeando e resolvi entrar no quarto e dormir um pouco”, pensei, meio rosnando. O que mais eu estaria fazendo deitada num quarto de hospital? Ainda assim, a despeito da dor e do mau humor, respondi educadamente que estava internada.
- Mas você está doente?
Gente, que mais eu estaria fazendo ali???? Sem pensar, falei que não, mas que iria ser operada no dia seguinte. A mulher deve ter achado que eu ia fazer lipo, ou alguma intervenção estética, porque despejou sem dó:
- Ah, bom, porque gorda desse jeito você não tem cara de doente mesmo.
Abre parênteses. Eu estava fazendo a segunda cirurgia por causa de um câncer de mama e, devido ao stress, havia engordado uns 20 quilos, além de estar inchadíssima de remédios. Fecha parênteses.
Desacreditei quando ouvi a frase. Achei que era efeito da injeção que eu havia tomado, que estava tendo alucinações, qualquer coisa, menos que aquela infeliz havia falado aquele absurdo. E o interrogatório continuou:
- Quantos anos você tem?
- 31.
- É casada?
- Não.
- Mas por que não? Porque, apesar de gorda, você é bonita.
A vontade de mandar a mulher para o inferno, para não dizer um palavrão, só não era maior do que a minha dor, que me impedia de raciocinar direito. Nessa hora eu até acho que ia responder, mas minha mãe entrou no quarto. Aí a louca aproveitou e despejou o rosário da vida dela. Entre outras coisas, ficamos sabendo que elas eram em três irmãs, mas que uma havia brigado com as outras de “rolar no chão e unhar o pescoço até tirar o sangue da carne”. Ah, e que ela não tinha mais vida sexual com o marido, mas que a irmã que a ajudava ainda tinha. Assim, em três horas, ela ficou contando todos os detalhes possíveis da vida dela, da mãe e das irmãs, e eu e minha mãe atônitas com a quantidade de informações não solicitadas e despejadas em cima da gente.
De repente, sei lá o por que, ela dá o golpe de misericórdia em mim:
- Olha, a senhora está muito bonita, muito jovem para a idade que tem, porque a sua filha, vou dizer uma coisa... Está acabada, um bagaço, muito feia!
Até hoje não sei o que me impediu de xingar a mulher nessa hora. Minha mãe ainda tentou contemporizar, dizendo que eu estava doente, passando por uma situação difícil. Qual! Ela insistiu:
- Ah, não justifica... Ela está muito acabada!
Por fim, lá pelas nove e meia da noite (a tortura havia começado por volta das seis horas) o marido (o que não transava mais) chegou. Muito quieto, cumprimentou minha mãe e ficou escutando aquela conversa. A louca vira então e fala assim:
- Benhê, a Mara quer que a gente vá passear em Piracicaba na casa dela.
Pânico. Pensei: “Mas que horas que minha mãe falou isso que eu não ouvi?”. Nada, aquilo era a imaginação da infeliz. E dona Mara, coitada, ainda teve que concordar.
Até hoje me arrepio quando lembro daquele dia no hospital, das histórias todas e da indiscrição da mulher. Por isso, quando me pego em uma fila, ou qualquer situação em que percebo que a pessoa está querendo me tomar por confidente, já tenho minha saída: fecho a cara, finjo que estou lendo qualquer coisa, mas nem desvio o olhar. Não posso dar a chance de a pessoa acreditar que estou demonstrando qualquer interesse sobre o assunto. Afinal, cada um com seus problemas! Ou, como vi em uma comunidade do orkut: “Quer falar? Vai na Hebe!”

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Fé repassada

Não repasso e-mails religiosos que no final me “obrigam” a participar de uma novena ou algo do gênero. Aliás, não costumo repassar e-mail de nenhum tipo que contenha alguma “ameaça” ou que apele para minha fé. Repasso e-mails de piadas, histórias bonitas, faço pedidos de orações a amigos e até mesmo encaminho mensagens que acho interessantes de serem reencaminhadas, mas sem coagir meu remetente a passá-la adiante.
Todo dia recebo pelo menos dois ou três e-mails com visita de Nossa Senhora, de Jesus, de algum santo. Aliás, pelo tanto de visitas que recebo, eles devem estar morando em minha casa! Antes que alguém fique indignado com o que estou escrevendo, quero esclarecer que não acho ruim receber essas mensagens. O que acho ruim é a colocação no final de que eu TENHO de reenviar o que recebi. Algumas dessas mensagens veem com o apelo absurdo de que se fosse uma piada seria repassada sem problema, ou seja, quem não a repassa é porque tem vergonha do seu Deus.
Absurdo para mim é querer impor minha fé a outras pessoas. Afinal, nem todo mundo é católico como eu. Eu não sei a religião de todo mundo que está em minha lista de e-mails. E como posso querer que a pessoa receba de bom grado uma mensagem onde há uma ameaça implícita caso ela não a repasse?
Eu participo de novenas se quero, e não porque um e-mail me obriga. Afinal, isso acontece no mundo real. Ninguém vai a uma novena se não quiser, e nenhuma ameaça é feita caso a pessoa não participe. Acho interessante quando recebo mensagens que iniciam com o apelo “escolhi 12 pessoas especiais, espero ter feito uma boa escolha”. Bom, eu me considero uma pessoa especial, e o fato de não repassar nem participar da corrente não me faz sentir mal ou algo assim.
Pior que isso é quando existe a promessa de um milagre no final! Será que Deus realmente fica distribuindo milagres a torto e a direito através de e-mails? Será que todo mundo recebe um milagre desejado apenas porque repassou uma mensagem? Onde fica a verdadeira fé? Porque repassar mensagens é muito fácil... Mas fazer sacrifícios para conseguir aquilo que se deseja é bem mais difícil, não é mesmo?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Perdas pessoais...

Ontem perdi dois ícones da minha infância e adolescência: a eterna pantera Farrah Fawcett, e o rei do pop Michael Jackson. A morte dela foi obscurecida pelo inacreditável do ataque cardíaco do cantor, mas ainda assim senti tristeza pelos dois em igual tamanho.
Farrah foi um ídolo para milhões de meninas da década 70, quando encarnava a detetive Jill. Charmosa, linda e sensual, ela também fazia os mais velhos, nas palavras de meu irmão, “pagarem pau” por suas belas curvas. Lembro-me de brincar com minhas primas de “As Panteras” no quintal da casa do meu avô. Eu sempre era Sabrina (a mais feia, porém a mais inteligente) e, paradoxo total, minha prima sansei era a bela Jill. Que inveja que eu tinha dela por ser a mais bonita das três! Não me recordo o critério pelo qual as personagens eram decididas, mas sei que nunca tive a chance de encarnar a pantera loira...
Já estava chateada com a morte da pantera quando minha mãe me falou sobre Michael Jackson. Ele surgiu em minha vida em 83, quando eu tinha 11 anos. Os clips que passavam no Fantástico eram o ponto alto da programação para os milhões que se encantavam não somente com as coreografias, mas também com os efeitos visuais mágicos que hipnotizavam todo mundo.
E dançar como Michael Jackson era o sonho. Garotos e garotas tentavam, sem sucesso, fazer o “moonwalk”. Eu mesma devo ter tentado “trocentas” vezes, sem nenhum sucesso. As coreografias de “Billie Jean” e “Thriller” me impressionaram muito na época. Uma das grandes emoções quando completei 12 anos foi ganhar o vinil do “Thriller”. E dá-lhe de tentar imitar o ídolo, nas saudosas brincadeiras dançantes. Mas que!!!! Dançar igual ao Michael... só Michael mesmo.
Não vou entrar aqui no mérito de se ele foi pedófilo ou não. Minha tristeza se resume à perda da lembrança de um artista fantástico, que ontem se foi de maneira abrupta. A sensação que tenho, com essas duas perdas, é a de que uma maravilhosa época de minha vida realmente se acabou. Viver a loucura que foi “Thriller” não tem preço. Pena que Michael Jackson, ao que parece, nunca tenha conseguido superar o fato de que aquela loucura não aconteceria mais. Suas cirurgias plásticas e esquisitices mostram isso. Que agora ele tenha encontrado o que quer que seja que buscou em toda sua vida.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A última bolacha do pacote

De onde será que surgiu a expressão “a última bolacha do pacote”? Sempre a usamos para falar sobre alguém que se acha o supra sumo (outra expressão de origem desconhecida), mas nunca paramos para pensar como ela surgiu. Seu significado também nunca havia sido contestado até uns dias atrás quando, batendo um papo com meu amigo Celso Aímola, ele me disse que, na verdade, contrariando a sabedoria popular, a última bolacha do pacote é aquela que ninguém quis comer.
Parei para pensar e vi que é verdade. Normalmente a última bolacha é aquela que deixamos no armário e, quando vamos ver, ela já está amolecida, toda insossa, e acabamos jogando o pacote fora, sem comer o que restou. É aquela que a gente não comeu quando estava em frente à televisão e caiu atrás do sofá, sendo apenas achada uma semana depois, quando a faxineira muda os móveis de lugar e dá uma boa geral na casa. Ou aquela que acabamos esquecendo na mesa do computador quando, entre um trabalho e outro, entremeados pelo bate papo no MSN, fazemos um lanchinho básico sem levantar da cadeira. Enfim, é aquela que não comemos simplesmente porque estamos satisfeitos com o que ingerimos em primeiro lugar.
Coloquei essa teoria outro dia em uma mesa e a mulherada presente amou a definição. Dei o devido crédito ao autor da idéia, que foi considerada uma verdade absoluta por unanimidade. Mas, como toda unanimidade é burra e todo público é diferente, uma semana depois falamos sobre o assunto em uma festa, onde dois dos presentes discordaram veementemente da teoria. Uma mulher disse que a última bolacha na verdade é a mais gostosa exatamente por ser a última, e acaba sendo comida bem devagarzinho, para ser aproveitada em sua totalidade, com suspiros e gemidos profundos. Já um outro disse que, mesmo ela estando amolecida, o segredo é dar uma “reciclada”, como fazemos com o pão amanhecido que vai ao forno e se torna tão saboroso quanto aquele saído da padaria. Só que a reciclagem depende da bolacha, é claro. Só vale a pena com aquelas recheadas maravilhosas, e não com rosquinhas de maisena de segunda categoria.
Discordo dos dois. Continuo concordando com meu amigo Celso. E mais: a gente só come a última bolacha do pacote senão tiver nada mais gostoso para comer. É aquela história: já que não tem tu, vai tu mesmo. Mas entre aquele pacote fechadinho e fresquinho e aquela bolacha perdida entre as compras do armário sabe-se lá Deus desde quando, com qual você ficaria, caro leitor? Eu já me decidi. Faça você agora sua escolha.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Direitos iguais... serão mesmo?

O jornalista Elio Gaspari, no último dia 3, escreveu um artigo em que defende a implantação das cotas raciais nas universidades e apresenta dados que mostram que a iniciativa, ao contrário do que se havia previsto há 10 anos, tem dado certo. O desempenho dos cotistas, em alguns casos, chega a ser melhor que o dos chamados alunos regulares, e a evasão não chega a ser chamativa.
Apesar de adorar Gaspari e respeitar demais o que ele escreve, ainda assim mantenho meu posicionamento: sou totalmente contra as cotas raciais. Antes que os mais exaltados achem que sou racista ou que não quero negros conseguindo seu espaço na sociedade, explico: sou contra as cotas raciais, mas a favor de cotas sociais.
Acho absurdo que as cotas sejam dadas a estudantes baseadas apenas no critério cor da pele. Na minha visão, seria muito mais justo que o critério fosse a condição sócio-econômica do indivíduo. Os que defendem as cotas raciais alegam que os negros são os de menores condições econômicas mesmo, então não muda nada a escolha ser racial ou social. Ótimo! Se não muda nada, então por que manter a cota racial, ao invés de dar chance a negros, brancos, amarelos e índios que tenham a mesma situação financeira? Estudei com um cara branco que se encaixaria perfeitamente nesse quesito. Pobre, ele não tinha dinheiro para nada, trabalhava quando não estava na faculdade e vivia apenas do que ganhava, sem ajuda nenhuma dos pais para se sustentar em Londrina. Mesmo fazendo faculdade pública, para ele se manter era um enorme sacrifício. Lembro-me de uma vez em que ele comprou uma caixa de tomates e sua alimentação, durante o mês todo, foi arroz e tomate. Pela sua cor, ele jamais teria direito a entrar na faculdade pelo sistema de cotas. Porém, não vejo nenhuma diferença entre ele e tantos negros que também passam dificuldades para se formar. Ou ele tem menos direito porque sua cor é diferente?
O Brasil está tentando consertar vários erros com outros erros. Tudo agora tem de ser politicamente correto. Por exemplo, não se pode falar deficiente, é “especial”. Especial por que? Mudar a palavra é bonito, mas tem efeito inócuo. Qual a diferença entre dizer deficiente e especial? Aliás, os “especiais” querem ser tratados como iguais pela sociedade. Mais do que justo, mas então que comecem a não usar essa denominação. Afinal, especial quer dizer com algo a mais. Oras, se somos todos iguais, por que temos nomes diferentes?
Já que estou falando dos deficientes, outra coisa que acho fora de propósito é a maneira como são definidas as vagas para eles em concursos públicos. Fiz um há três anos, sabendo que não ia passar, pois não havia me preparado para isso. Conferi minha nota e por curiosidade fui conferir a classificação dos “especiais”. Para meu espanto, vi que o primeiro colocado não havia acertado nem metade do que eu havia acertado! Então entendi o absurdo: como a lei determina que haja vaga para os deficientes, as vagas são preenchidas de acordo com a ordem de classificação. Ou seja, não há necessidade de se ter o mesmo conhecimento dos candidatos “não-especiais” para se ocupar a mesma vaga!!!! Acho irônico isso: os deficientes reivindicam tanto os mesmos direitos que todos, mas na hora dos deveres... Nunca vi ninguém reclamando que todos deviam ter de tirar as mesmas notas que os outros concorrentes.
Que duas coisas fiquem aqui bem claras: não sou contra negros em universidades e muito menos contra deficientes em qualquer serviço. Apenas acho que os critérios usados para que eles tenham seu espaço são bem intencionados, porém confusos. Direitos iguais? Então deveres também. Ou será que somente os brancos e os “normais” é que precisam realmente se esforçar para conseguir seu espaço em nossa sociedade?

terça-feira, 2 de junho de 2009

Estranha insensibilidade

Desde ontem a única coisa que tenho visto em todos os jornais, revistas e sites que abro são as notícias referentes ao avião que desapareceu após ter decolado do Rio de Janeiro com destino a Paris. Antes que qualquer um me critique, quero deixar claro que lamento muito pela tragédia, e me solidarizo com as famílias das vítimas. Mas a overdose de informações é tamanha, são tantas abordagens e histórias sendo levantadas que isso me lembrou uma crônica que escrevi em março do ano passado, falando exatamente sobre a estranha insensibilidade que acomete os jornalistas quando estão cobrindo qualquer incidente deste tipo. Aliás, foi a primeira crônica que escrevi em toda a minha vida. Quem já leu relembre o que pensei, e quem não leu reflita sobre o assunto.

Jornalista é um ser estranho. Enquanto todo mundo agradece a Deus, aos céus, aos santos e a todas as forças e instâncias superiores quando há queda nos níveis de violência, de epidemias e outras desgraças, o repórter e o editor se lamentam pela falta de notícia.
- O cara despencou de mais de seis metros hoje pela manhã, enquanto trabalhava em uma obra...
- Nossa, machucou muito?
- Nada, já está até na observação.
- Então não é matéria, no máximo uma nota...
Essa conversa não é imaginária. Foi ouvida um dia desses na redação, numa segunda-feira particularmente ruim de notícias. Aquele dia em que, como dizemos em linguagem jornalística, só tem “trolha”. Ou seja, só materinha, assuntos pequenos... Aquele dia em que o editor fica, no fechamento, “caçando” um assunto de impacto para colocar como manchete e com certeza, pelo menos mentalmente, xingando os repórteres. “Porra, nada para colocar na capa... O que esse bando de jornalistas fica fazendo o dia inteiro?”
O repórter também fica na “fissura” de encontrar algo impactante o dia todo.
- Oi, como é que está o plantão policial hoje?
- Tranquilo, nenhuma ocorrência de destaque.
- Putz, que merda...
- Que é isso, graças a Deus que não aconteceu nada de ruim...
- Graças a Deus para você, porque para mim é uma merda, meu chefe vai comer meu fígado...
Parei para pensar, depois de ouvir o comentário da colega sobre o infeliz que havia caído, que esse sentimento de indiferença a qualquer acidente que tenha um final relativamente bom é inerente à profissão mas, de certa forma, reflete aquilo que as pessoas buscam das notícias de jornal.
Lembrei-me de quando a Columbia explodiu. Na época era editora de Nacional e Internacional, e tinha quatro páginas em branco para preencher, em pleno sábado, dia normalmente pobre em matérias quentes, a não ser que algo muito surpreendente ocorra. Avisei a editora-chefe que a coisa estava feia e saí para almoçar. Quando cheguei, ela veio com a novidade:
- Você vai ter muito material para trabalhar: a Columbia explodiu...
- Nossa, que bom! Salvou meu dia, vou ter muita coisa para escrever e dá para encher as quatro páginas na boa, com fotos, história dos astronautas, repercussão no mundo inteiro... Graças a Deus!
Terminei a frase e me peguei parada... Graças a Deus que uma nave espacial havia explodido e matado seus tripulantes? Que insensibilidade é essa que atinge os jornalistas, que comemoram quando a desgraça é enorme para encher páginas e mais páginas de jornais e revistas?
E olha que sou uma pessoa sensível, choro assistindo filme, novela, contando história triste... Emociono-me com fatos comuns do dia-a-dia quando estou “à paisana”, mas torno-me totalmente imune ao sentimento de compaixão quando me transformo em jornalista. O que isso significa? Que penso em primeiro lugar na repercussão que a informação que tenho em mãos teria, e não nas pessoas afetadas por ela. E por que isso?
É que publicar coisa boa não dá ibope. E isso não sou eu quem fala, infelizmente a natureza humana curte uma desgraça básica. Vejo o interesse que as pessoas têm quando um crime bárbaro ocorre, uma desgraça da natureza acontece, um casal famoso se divorcia. Sim, isso também é triste, afinal envolve duas pessoas (ou mais, quando têm filhos) que se amavam e, com certeza, estão sofrendo com a situação.
Dá para mudar isso? Não sei... Estou aqui divagando sobre o assunto sem saber se quem ler meu texto vai se tornar mais sensível ou não. Aliás, não sei nem se eu mesma vou me tornar mais sensível. Mas queria muito acordar em um mundo onde notícias boas fossem motivo de comemoração, e não onde desgraças significassem apenas manchete ou mais exemplares vendidos.
Finalizando: naquela mesma segunda maldita, lá pelas 19 horas, percebo uma sombra parada as minhas costas. Quando me viro para ver quem era aquele “vodu”, dou de cara com o chefe, papel de pauta na mão e o desespero estampado na face:
- Pessoal, estou sem opção de manchete hoje... quem tem alguma coisa?
A bomba meio que vem para meu lado mas ele não curte o assunto que eu estava cobrindo. Aí, para fechar o dia, o comentário da colega sobre o infeliz que havia caído:
- Se pelo menos o cara tivesse morrido, dava uma manchete!
Definitivamente: jornalista é um ser muito estranho mesmo.

Meia branca


Tenho um problema sério com homens que usam sapato preto e meia branca. Tá certo, sei que essa moda é abominada por 99% das pessoas, mas ainda assim existem homens que insistem em fazer essa combinação, independente do que o mundo fashion diga. Meia branca com sapato preto, para mim, é ponto decisivo para que eu descarte de cara o possível paquera que esteja cometendo esse crime.
Muita gente já me perguntou o porquê desse preconceito. Nem eu mesma sei. Mas para mim parece que o cara que faz essa combinação esdrúxula tem algum problema maior, algo que somente será descoberto quando a paixão já tiver definitivamente me arrebatado e aí um rompimento se torna doloroso para ambas as partes, mas principalmente para mim, é claro. Um cara que usa sapato preto e meia branca esconde algum segredo mais escabroso como mau hálito, chulé, flatulência ou, horror supremo, curtir fetiches pouco ortodoxos, tipo chamar a namorada pelo nome da mãe na hora do sexo.
Tenho amigas que me criticam por essa mania. Dizem que esse tipo de defeito a gente conserta, mas não sei... Será possível que eu precise dizer a algum homem que essa combinação é a coisa mais out que existe em termos de moda? Que sapato escuro jamais combina com meia branca? Que quem comete esse crime deve depois se enforcar com o cadarço do próprio calçado? Não que eu seja a pessoa mais fashionista do mundo, muito pelo contrário, mas tomei uma implicância com isso que dá gosto!
Lembro-me que uma vez estava em um bar com uns amigos e um cara extremamente bem apessoado me olhou a noite toda e eu, muito feliz, retribui os olhares com muita devoção. A noite toda foi assim. Detalhe: o bar era uma penumbra total. Lá pelas tantas (gosto desta expressão!) o moço levantou para ir ao banheiro e, automaticamente, olhei para seus pés. Qual meu espanto em ver que no final de toda a elegância com que ele se vestia lá estavam elas, as temíveis meias brancas com sapatos pretos. Parecia que elas me desafiavam e riam de mim! Entre fascinada e horrorizada, falei para um amigo que estava acompanhando a troca de olhares desde o começo:
- Não dá, ele usa meia branca...
O povo da mesa quase caiu de costas, claro! Enxergar a meia naquela escuridão e, pior, descartar o cara por conta disso foram atitudes prontas para que os amigos me execrassem e, em ameaças, me dissessem que talvez eu estivesse perdendo o homem da minha vida!!! Até hoje, quando encontro esse cara, fico pensando em como teria sido se eu tivesse investido...
Melhor não pensar. Com certeza eu descobriria que, por trás da meia branca, havia também uma cueca de bolinhas que, convenhamos, não desperta a libido de ninguém. Permitam que eu continue com minhas manias frescas (ou coisas de Andréa, como dizem os mais chegados). Prefiro sempre imaginar que essa combinação é o prenúncio de algo mais estranho escondido, do que supor que já perdi ótimas oportunidades por conta disso.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Fama esmagadora

E Susan Boyle, a grande sensação do mundo todo, perdeu a final do Britains Got Talent (literalmente, Britânicos têm talento). Quem não ouviu falar dessa escocesa de 48 anos que nunca beijou e arrebatou fãs no mundo todo com sua voz impecável deve estar incomunicável em algum lugar longínquo, sem acesso a qualquer tipo de informação. Seu vídeo postado no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=X9whxWNI7bE&feature=related) há pouco mais de um mês já foi visto mais de 100 milhões de vezes. Eu, particularmente, cada vez que o vejo me emociono. E imagino que isso aconteça com muita gente.
Antes mesmo de o concurso terminar ela já havia virado uma celebridade. Portanto, mesmo perdendo, já tem seu lugar garantido ao sol. Convites de gravadoras e de um dos maiores produtores de musicais da atualidade, Andrew Lloid Weber, já fazem parte de sua realidade. Assim, a perda parecia algo menor diante do fenômeno mundial que ela se tornou.
Qual não foi minha surpresa hoje ao ler que a simpática senhora, após toda essa expectativa que a cercou nas últimas semanas, havia sido internada por esgotamento físico e mental diante de toda a pressão para que ganhasse o concurso (http://entretenimento.br.msn.com/famosidades/noticias-artigo.aspx?cp-documentid=20141559).
E, pensando bem, faz sentido esse esgotamento. Afinal, Susan perdeu para um grupo de dança. Sem desmerecer os dançarinos, que se mostraram criativos, mas fáceis de serem imitados, ela deveria ter ganhado o prêmio. A escocesa tem uma voz inigualável, nunca fez aula de canto, sempre levou sua vidinha simples na sua vila e, quando teve a chance, perdeu. Houve gente que justificou sua perda dizendo que ela já ia fazer sucesso mesmo, por isso foi melhor que outro participante ganhasse.
Raciocínio meio ilógico: eu sou o melhor, vou conseguir mais, então por isso deixem que aquele que não é tão bom quanto eu ganhe o prêmio? Oras, o concurso é para revelar talentos, e isso Susan tem de sobra. Se dependesse dos jurados, ela com certeza teria sido a grande campeã, mas como dependeu de votação popular...
A fama esmagou Susan. Uma pessoa que sempre viveu escondida de repente se expôs ao mundo todo e, do nada, lhe tiraram o objetivo maior que ela havia perseguido: ganhar o concurso. Nada mais normal que ela tenha mesmo se internado depois de tudo isso. E não adianta a justificativa de que ela vai ganhar muito mais: para Susan, aquele era o ponto mais importante, até o momento, de toda a sua vida. Uma pena que o público britânico não tenha valorizado esse diamante que está sendo lapidado aos olhos do mundo todo.