sexta-feira, 14 de maio de 2010

Crueldade sem fim e impune

O Brasil acompanhou revoltado, na última semana, o sumiço e apresentação à Justiça do Rio Janeiro da procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant'Anna Gomes, acusada de torturar uma menina de dois anos que estava sob sua guarda para adoção. As fotos da menina, com os olhos inchados e quase fechados de tanta agressão, foram mostradas em toda mídia, e somente pessoas sem coração não se indignaram com o sofrimento da criança que, durante um mês, foi agredida por quem deveria protegê-la.
Notícias como essa estão se tornando cada vez mais comuns em todas as classes sociais e lugares do País. Pais que espancam cruelmente os filhos, mães que deixam crianças trancadas em casa para irem a bailes, parentes e vizinhos que abusam sexualmente dos pequenos aumentam a cada dia. Uma crueldade sem fim que é agravada por um fato já corriqueiro em nosso sistema judiciário: a impunidade reinante.
No caso dessa criança em específico, o maior espanto foi a divulgação de que a mesma procuradora já havia sido denunciada pelo mesmos tipo de agressão, também em outra criança que estava sob sua guarda. Fica aí a pergunta que não quer calar: como foi permitido que ela conseguisse uma segunda criança para criar, enquanto outros casais realmente amorosos ficam anos na fila de espera e passam por um crivo rigoroso de assistentes sociais e psicólogos antes de serem aprovados para a adoção?
São vários os fatos que chocam, revoltam e mostram como a criança é realmente um ser indefeso no nosso País. O advogado da acusada, Jair Leite Pereira, que já tentou dizer que ela era inocente, agora mudou seu discurso e alega que, de acordo com o IML (Instituto Médico Legal), “as lesões foram leves e não causaram nenhum mal estar maior na criança”. Porém, um laudo complementar do IML aponta lesões graves na garota.
Sabemos que o papel da defesa é proteger seu cliente. Mas daí a alegar que não houve mal estar maior à pequena, que nem conseguia abrir os olhos, é chamar a população de idiota e a Justiça de cega. Quando as acusações contra a procuradora foram apresentadas, há um mês, a menina foi levada para o hospital e precisou ficar três dias internada. Que tipo de lesão leve é essa que obriga uma criança a ser internada durante todo esse tempo?
Pior que a lesão física são as lesões psicológicas que ela sofreu nesse período. Em princípio, a procuradora já foi obrigada a custear um tratamento psicológico para a menina. Melhor que nada, mas como essa pequena criatura vai poder novamente confiar em outra pessoa? E, para finalizar: até quando as agressões contra os pequenos, em nosso País, deixarão de ser tão banalizadas? Outro dia escrevi que tinha orgulho de ser brasileira. Porém, quando vejo essa impunidade, preferia ter nascido em outro país qualquer, onde as leis são respeitadas e cumpridas.

Um comentário:

CESAR ALEXANDRE disse...

APESAR DE CONHECER VOCÊ APENAS ALGUNS SEGUNDINHOS, É SUFICIENTE PARA CONHECER A PESSOA MARAVILHOSA E TAMBÉM INTELIGENTE QUE VOCÊ É.