sábado, 9 de julho de 2011

Preguiça de brigar pela coisa certa

Por mais que saibamos que o brasileiro é um povo acomodado quando busca seus direitos, ainda assim sempre me sinto espantada em ver como as pessoas aceitam pequenos “roubos” cotidianos sem reclamar. Um bom exemplo dessa visão aconteceu a semana passada.
Há pouco mais de 40 dias fiz uma compra em uma loja de departamentos e, no dia de pagar a primeira parcela, eu estava viajando e não tinha acesso a banco ou internet para quitar o débito. Quando cheguei de viagem, entrei no site da loja para imprimir o boleto (que vinha com os juros calculados) e tive a primeira surpresa: como a parcela estava alguns dias atrasada, não havia a opção de se pagar a conta pela internet nem caixa eletrônico. Ou seja, eu teria de ir até a loja para quitar o débito.
Fiquei pensando se isso era uma estratégia de marketing daquelas bem capengas, que pressupõe que, já que o cliente teve de ir ao estabelecimento, vai acabar comprando alguma outra coisa. Se foi, comigo funcionou ao contrário.
A segunda surpresa foi quando vi a cobrança de um “seguro” em cada parcela. Lembrei então que, quando estava finalizando a compra, a caixa havia me perguntado se eu desejava o tal “seguro”, para o caso de ficar desempregada, e eu havia dito que não queria pagar essa taxa. O valor era irrisório (R$ 1,99 cada parcela), mas basta fazer um cálculo simples para entender que, se cada cliente pagar esse valor, imagine o quanto a loja não ganha no fim do mês.
Quando entrei no site para ver se era possível estornar esse valor, descobri que o atendimento para esse tipo de problema também só pode ser feito pessoalmente, independente de haver um número de SAC e um e-mail de atendimento ao cliente. Resumindo: quando fui à loja e pedi o estorno, a atendente prontamente refez a parcela, e tive esse valor retirado. Fiquei imaginando o quanto esse “erro” deve ser comum, para que ela nem contestasse meu pedido.
Comentei o caso com uma amiga e ouvi o seguinte comentário: “Nunca que eu perco o meu tempo em ir atrás de R$ 1,99”. O mais interessante é que essa mesma pessoa se orgulha em ficar 40, 50 minutos tentando votar em algum idiota do BBB, mas não perde meia hora para ir atrás de seus direitos. Porque o problema não era o valor do “seguro”, mas sim o princípio: se não pedi um serviço, não tenho de pagar por ele.
A preguiça de ir atrás dos nossos direitos é que faz o Brasil ser o que é hoje: um país onde o famoso “jeitinho” é valorizado, onde somos roubados diariamente em pequenas coisas, e achamos tudo normal. Ser passivo e feito de idiota é o correto. Ter cidadania é ser “encrenqueiro”.

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