domingo, 15 de abril de 2012

Um bom hábito menosprezado


No fim do mês passado a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil divulgou que o brasileiro lê em média quatro livros por ano e apenas metade da população pode ser considerada leitora. O estudo, realizado entre junho e julho de 2011, entrevistou mais de 5 mil pessoas em 315 municípios.
Ainda de acordo com a pesquisa, o país tem hoje 50% de leitores ou 88,2 milhões de pessoas. Essa categoria engloba aqueles que leram pelo menos um livro nos últimos três meses, inteiro ou em partes. Entre as mulheres, 53% são leitoras, índice maior do que o verificado entre os entrevistados do sexo masculino, que chega a 43%.
Por mais comum que isso possa parecer, fiquei pasma com o número. Como leio em média um livro por semana (isso quando não são dois!) achei um absurdo que nossa população não se interesse por leitura. Ao comentar na redação meu espanto, ainda escutei piadas do tipo “você lê muito porque não tem nada para fazer”.
Sempre gostei de leitura, desde pequena. Conservo ainda os livros que ganhei de meus pais quando criança, como as coleções completas de Monteiro Lobato, José Mauro de Vasconcelos e Malba Tahan. Livros esses que já emprestei e muitos dos quais minha sobrinha Isabela também teve o prazer de ler quando pequena e descobrir mundos mágicos e cheios de personagens marcantes.
Muitos justificam que as pessoas não leem pelo acesso hoje facilitado à internet. Não concordo. A falta de leitura em nosso país sempre foi crônica. Lembro-me quando adolescente que muitos colegas de classe pagavam para alguém ler e resumir os livros indicados pelos professores. E não que eles fizessem muita coisa: simplesmente preferiam assistir televisão a “desperdiçar” seu tempo livre com a leitura.
Também já escutei que ler serve apenas para adquirir conhecimento inútil, e que o importante nos dias de hoje é ser prático, e não saber teorias. Como acredito no pensamento de que conhecimento nunca ocupa espaço, lamento que as pessoas vejam a leitura dessa maneira, sem se lembrarem de que ler nos abre a mente para sermos críticos.
Em tempos de internet e da informação sendo nos jogada como “drops” em sites de notícias, ainda acredito que o prazer de um bom livro jamais será substituído. Basicamente todos os dias, antes de dormir, leio pelo menos meia hora, tempo que às vezes se prolonga mais quando as páginas se mostram muito interessantes. Infelizmente, muita gente acha esse prazer como falta do que fazer – esquecendo que amor aos livros não é um escape para o tédio, mas sim um hábito saudável, que deveria ser mais estimulado em nosso país.

Um comentário:

riscaefazdenovo disse...

É muito triste mesmo essa visão que as pessoas tem. Talvez seja um pouco reflexo da ideia de que o que vale é ser malandro, esperto, sei lá, e ler um livro é perda de tempo. O que eles não sabem é que esses "espertos", muitas vezes só são referência - até pra coisas ruins - porque estudam e leem muito pra isso.