segunda-feira, 22 de junho de 2009

A última bolacha do pacote

De onde será que surgiu a expressão “a última bolacha do pacote”? Sempre a usamos para falar sobre alguém que se acha o supra sumo (outra expressão de origem desconhecida), mas nunca paramos para pensar como ela surgiu. Seu significado também nunca havia sido contestado até uns dias atrás quando, batendo um papo com meu amigo Celso Aímola, ele me disse que, na verdade, contrariando a sabedoria popular, a última bolacha do pacote é aquela que ninguém quis comer.
Parei para pensar e vi que é verdade. Normalmente a última bolacha é aquela que deixamos no armário e, quando vamos ver, ela já está amolecida, toda insossa, e acabamos jogando o pacote fora, sem comer o que restou. É aquela que a gente não comeu quando estava em frente à televisão e caiu atrás do sofá, sendo apenas achada uma semana depois, quando a faxineira muda os móveis de lugar e dá uma boa geral na casa. Ou aquela que acabamos esquecendo na mesa do computador quando, entre um trabalho e outro, entremeados pelo bate papo no MSN, fazemos um lanchinho básico sem levantar da cadeira. Enfim, é aquela que não comemos simplesmente porque estamos satisfeitos com o que ingerimos em primeiro lugar.
Coloquei essa teoria outro dia em uma mesa e a mulherada presente amou a definição. Dei o devido crédito ao autor da idéia, que foi considerada uma verdade absoluta por unanimidade. Mas, como toda unanimidade é burra e todo público é diferente, uma semana depois falamos sobre o assunto em uma festa, onde dois dos presentes discordaram veementemente da teoria. Uma mulher disse que a última bolacha na verdade é a mais gostosa exatamente por ser a última, e acaba sendo comida bem devagarzinho, para ser aproveitada em sua totalidade, com suspiros e gemidos profundos. Já um outro disse que, mesmo ela estando amolecida, o segredo é dar uma “reciclada”, como fazemos com o pão amanhecido que vai ao forno e se torna tão saboroso quanto aquele saído da padaria. Só que a reciclagem depende da bolacha, é claro. Só vale a pena com aquelas recheadas maravilhosas, e não com rosquinhas de maisena de segunda categoria.
Discordo dos dois. Continuo concordando com meu amigo Celso. E mais: a gente só come a última bolacha do pacote senão tiver nada mais gostoso para comer. É aquela história: já que não tem tu, vai tu mesmo. Mas entre aquele pacote fechadinho e fresquinho e aquela bolacha perdida entre as compras do armário sabe-se lá Deus desde quando, com qual você ficaria, caro leitor? Eu já me decidi. Faça você agora sua escolha.

Um comentário:

Cinthya Di Paula disse...

Eu entendia a expressão de outro modo. Sempre a vi pelo contexto de várias pessoas comendo do mesmo pacote, de forma que, ao chegar na última bolacha, houvesse uma certa disputa por ela.
Deve ser porque fui criada junto com mais dois irmãos, então a última bolacha do pacote era motivo de engalfinhamento entre os três - porque, néam, irmãos não precisam mesmo de um motivo pra se engalfinharem - e quem levava a bolacha ainda tirava onda com os demais. :))
Eu nunca tinha pensado na expressão pelas duas óticas que você trouxe... :(