Desde que aprendi a ler e conhecer o valor da história, tenho o sonho de conhecer as pirâmides do Egito. Visitar os túmulos dos faraós, ver a Esfinge e imaginar como aqueles blocos gigantescos foram colocados tão simetricamente um em cima do outro sempre foram objetivos que um dia eu disse que realizaria.
Finalmente, no próximo dia 3, estarei realizando esse sonho. Planejei durante anos essa viagem. Em 2008, estava com tudo pago quando tive câncer, e tive de adiar o que sempre havia imaginado fazer. Lembro que, ao ter o diagnóstico, que na época era meio sombrio, eu disse ao médico que tinha certeza de que não ia morrer, porque ainda não havia conhecido o Egito.
Sonhos fazem parte das nossas vidas. Existem aqueles atingíveis, e aqueles que sabemos que dificilmente conseguiremos realizar. Ter uma Ferrari, por exemplo. Não é impossível, desde que eu ganhe na Mega Sena ou case com um milionário que resolva me dar esse mimo. Como essas duas possibilidades são muito remotas (mas não impossíveis...), imagino que a Ferrari não vai fazer parte da minha vida. E não sofro por conta disso.
Realizar um sonho nos faz ter vontade sempre de melhorar, crescer, errar, acertar, errar de novo, cair, levantar, brigar, chorar e, finalmente, conseguir aquilo que queremos. Pode ser um simples passeio ao Museu do Ipiranga, conhecer o mar, conquistar o amor da sua vida, gerar um filho, aquele emprego que garanta estabilidade a sua vida. O importante é sempre ter algo a conquistar.
Somos movidos a sonhos, ou conquistas. Não importam o que eles sejam, importam que sejam seus. Para mim, conhecer o Egito sempre foi algo a ser conquistado. Muita gente, quando eu comentava isso, me dizia que tem mil outros lugares mais interessantes e bonitos para se visitar do que um “deserto com um monte de pedra empilhada”. Para quem não ama História, como eu amo, o Egito significa isso mesmo. Para mim, significa visitar uma civilização que sempre me impressionou. Nunca me importei com esses comentários. O sonho era meu. E quem tinha de realizá-lo era eu.
Por isso, seus sonhos são apenas seus. Não se importe se as pessoas acharem seu sonho pequeno, absurdo, inatingível, ou até mesmo medíocre. Lembre-se sempre que a conquista dele vai depender apenas de uma pessoa: você mesmo. Se eu dependesse dos outros, talvez não estivesse agora contando que vou fazer a viagem da minha vida. Esse era meu objetivo. Eu o conquistei. E tem coisa mais gostosa que conseguir algo que desejamos muito?
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Mentiras disseminadas
Todos os dias recebo em média uns 60 e-mails com os mais diversos teores. Alguns trazem belas mensagens, outros são vídeos engraçados, e tem aqueles pessoais, de amigos querendo saber como estou. Infelizmente, porém, a maioria deles é composta por uma praga que vive enchendo nossas caixas postais: os famosos spams.
Passados pelo menos 15 anos do início da popularização da internet no Brasil, a maioria das pessoas ainda não sabe usar a rede de maneira a diminuir o lixo virtual, e aumentar as mensagens úteis. E nem faz isso por maldade. Simplesmente, as pessoas recebem algo que acham interessante ou que vai beneficiar alguém, e encaminham a todos da lista, dispostos e espalhar uma boa novidade ou conseguir ajuda para quem está passando dificuldade.
Um bom exemplo são duas mensagens que circulam há anos, uma oferecendo vagas gratuitas para tratamento de câncer no estômago, e outra dizendo que há córneas sobrando em Sorocaba. Em ambos os casos, números de telefone para se comprovar a veracidade da história. Ou sou muito azarada, ou os números estão errados, ou não existem: a verdade é que já tentei confirmar essas mensagens, e não consegui falar com ninguém.
Pior que isso são os e-mails sobre seqüestros e desaparecimentos. Há cerca de um mês recebi um sobre uma menina de Piracicaba, encaminhado por uma amiga, que inclusive conhecia os pais da criança. Escaldada pelo tanto de mentiras que já encaminhei pela internet resolvi checar os números de telefone e a veracidade da história. Menos de uma hora depois de ter recebido o primeiro e-mail, recebi uma segunda mensagem, da mesma amiga, dizendo que não tinha havido nenhum desaparecimento ou seqüestro, e pedindo desculpas por ter espalhado uma notícia daquelas.
A pressa em tentarmos ajudar, nesses casos, pode muitas vezes atrapalhar. Atualmente, quando recebo mensagens com títulos como “Ajudem pelo amor de Deus”, “Você não vai conseguir evitar o choro”, ou coisas do gênero, nem leio mais. Até porque a menina russa (ou polonesa, ou croata), cuja foto dela queimada circula pela internet há séculos, já deve estar com uns 15 anos, e não fiquei sabendo de nenhuma campanha do AOL (lembram-se de servidor?) para ajudá-la.
Antes os boatos se disseminavam boca a boca ou, no máximo, por telefone. Hoje, eles contam com uma ferramenta rápida e que tem um alcance de milhares de pessoas ao mesmo tempo. O problema não é espalhar notícias acreditando estar ajudando. O maior problema é não termos mais discernimento do que realmente é ajuda, e o que é puro boato. A hora que conseguirmos fazer essa distinção, o mundo virtual ficará bem melhor.
Passados pelo menos 15 anos do início da popularização da internet no Brasil, a maioria das pessoas ainda não sabe usar a rede de maneira a diminuir o lixo virtual, e aumentar as mensagens úteis. E nem faz isso por maldade. Simplesmente, as pessoas recebem algo que acham interessante ou que vai beneficiar alguém, e encaminham a todos da lista, dispostos e espalhar uma boa novidade ou conseguir ajuda para quem está passando dificuldade.
Um bom exemplo são duas mensagens que circulam há anos, uma oferecendo vagas gratuitas para tratamento de câncer no estômago, e outra dizendo que há córneas sobrando em Sorocaba. Em ambos os casos, números de telefone para se comprovar a veracidade da história. Ou sou muito azarada, ou os números estão errados, ou não existem: a verdade é que já tentei confirmar essas mensagens, e não consegui falar com ninguém.
Pior que isso são os e-mails sobre seqüestros e desaparecimentos. Há cerca de um mês recebi um sobre uma menina de Piracicaba, encaminhado por uma amiga, que inclusive conhecia os pais da criança. Escaldada pelo tanto de mentiras que já encaminhei pela internet resolvi checar os números de telefone e a veracidade da história. Menos de uma hora depois de ter recebido o primeiro e-mail, recebi uma segunda mensagem, da mesma amiga, dizendo que não tinha havido nenhum desaparecimento ou seqüestro, e pedindo desculpas por ter espalhado uma notícia daquelas.
A pressa em tentarmos ajudar, nesses casos, pode muitas vezes atrapalhar. Atualmente, quando recebo mensagens com títulos como “Ajudem pelo amor de Deus”, “Você não vai conseguir evitar o choro”, ou coisas do gênero, nem leio mais. Até porque a menina russa (ou polonesa, ou croata), cuja foto dela queimada circula pela internet há séculos, já deve estar com uns 15 anos, e não fiquei sabendo de nenhuma campanha do AOL (lembram-se de servidor?) para ajudá-la.
Antes os boatos se disseminavam boca a boca ou, no máximo, por telefone. Hoje, eles contam com uma ferramenta rápida e que tem um alcance de milhares de pessoas ao mesmo tempo. O problema não é espalhar notícias acreditando estar ajudando. O maior problema é não termos mais discernimento do que realmente é ajuda, e o que é puro boato. A hora que conseguirmos fazer essa distinção, o mundo virtual ficará bem melhor.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Mudanças essenciais
Esta semana assisti “Nosso Lar”. Independente da crença de cada pessoa, e da qualidade do filme em si (que em alguns pontos fica meio cansativo), a história do espírito André Luiz nos traz uma bela lição de vida, de mudanças profundas e, principalmente, do aprendizado que todas as situações do dia a dia, por mais prosaicas que sejam, podem nos proporcionar.
No filme, o espírito André Luiz, ao chegar ao Nosso Lar, ainda mantém as mesmas ideias terrenas, das quais demora muito tempo a se desapegar. Quando ele consegue enxergar sua nova realidade, passa a ser mais feliz, e entender todos os erros do seu passado. Essa é chave de libertação para sua redenção e para que ele possa visualizar melhor seu futuro.
Todos nós temos princípios aos quais, independentemente das mudanças que ocorrem a nossa volta, nos mantemos apegados. Muitas vezes, não conseguimos enxergar que esses conceitos estão ultrapassados, ou mesmo errados, e ficamos parados em situações que nos param no tempo, ou nos prejudicam. Ainda assim, não conseguimos enxergar que tudo pode ser mudado, se realmente quisermos.
Dizemos que errar é humano, e persistir no erro é burrice. Mas vemos, cotidianamente, amigos, familiares, colegas de trabalho, enfim, pessoas que nos cercam, e nós mesmos, cometendo os mesmos erros, sem perceber que as atitudes que nos fazem mal se repetem por nossa exclusiva escolha. Nosso livre arbítrio existe exatamente para que possamos mudar e evoluir, e não ficarmos parados no mesmo lugar. A dificuldade está em saber usar esse direito de escolha.
Eu já me peguei muitas vezes cometendo o mesmo erro, e depois me arrependendo dele. E novamente cometendo... Sem sequer questionar do por que, mesmo inconscientemente sabendo que aquilo me seria prejudicial, eu ainda assim insistia em me magoar. Sim, porque eu mesma estava me magoando, somente não conseguia sentir isso. E, por mais que as pessoas a minha volta me apontassem que estava errando novamente, eu ficava presa a uma razão inexistente, e fechava meus ouvidos a qualquer argumento que viesse de encontro ao que eu acreditava.
Consegui enxergar esse círculo vicioso. Foi doloroso, mas quando visualizamos o que estamos fazendo, é como se nos libertássemos das antigas ideias e valores e nos abríssemos a mudanças essenciais. Essa abertura nos proporciona a chance de aumentar nosso conhecimento, mudar valores, aprender com os erros do passado e, principalmente, construir um futuro melhor, sem espaço para comportamentos que nos prejudicam.
No filme, o espírito André Luiz, ao chegar ao Nosso Lar, ainda mantém as mesmas ideias terrenas, das quais demora muito tempo a se desapegar. Quando ele consegue enxergar sua nova realidade, passa a ser mais feliz, e entender todos os erros do seu passado. Essa é chave de libertação para sua redenção e para que ele possa visualizar melhor seu futuro.
Todos nós temos princípios aos quais, independentemente das mudanças que ocorrem a nossa volta, nos mantemos apegados. Muitas vezes, não conseguimos enxergar que esses conceitos estão ultrapassados, ou mesmo errados, e ficamos parados em situações que nos param no tempo, ou nos prejudicam. Ainda assim, não conseguimos enxergar que tudo pode ser mudado, se realmente quisermos.
Dizemos que errar é humano, e persistir no erro é burrice. Mas vemos, cotidianamente, amigos, familiares, colegas de trabalho, enfim, pessoas que nos cercam, e nós mesmos, cometendo os mesmos erros, sem perceber que as atitudes que nos fazem mal se repetem por nossa exclusiva escolha. Nosso livre arbítrio existe exatamente para que possamos mudar e evoluir, e não ficarmos parados no mesmo lugar. A dificuldade está em saber usar esse direito de escolha.
Eu já me peguei muitas vezes cometendo o mesmo erro, e depois me arrependendo dele. E novamente cometendo... Sem sequer questionar do por que, mesmo inconscientemente sabendo que aquilo me seria prejudicial, eu ainda assim insistia em me magoar. Sim, porque eu mesma estava me magoando, somente não conseguia sentir isso. E, por mais que as pessoas a minha volta me apontassem que estava errando novamente, eu ficava presa a uma razão inexistente, e fechava meus ouvidos a qualquer argumento que viesse de encontro ao que eu acreditava.
Consegui enxergar esse círculo vicioso. Foi doloroso, mas quando visualizamos o que estamos fazendo, é como se nos libertássemos das antigas ideias e valores e nos abríssemos a mudanças essenciais. Essa abertura nos proporciona a chance de aumentar nosso conhecimento, mudar valores, aprender com os erros do passado e, principalmente, construir um futuro melhor, sem espaço para comportamentos que nos prejudicam.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Aprendendo a ganhar
Uma pesquisa do Procon (Serviço de Proteção ao Consumidor) divulgada ontem aponta que os preços dos medicamentos apresentaram variação de até 523,81% entre os genéricos e de até 100% entre os de referência, em levantamento realizado entre os dias 1º e 3 de setembro na cidade de São Paulo. O levantamento foi realizado em 15 farmácias e drogarias distribuídas pelas cinco regiões da cidade e 52 medicamentos.
Como justificar uma disparidade de preços tão grande? Sabemos que, ao fazer a pesquisa de preço de qualquer produto, devemos levar em consideração o local onde ele está sendo vendido, o atendimento, facilidade de pagamento... Ainda assim, uma variação de mais de 500% não tem a menor lógica. Afinal, os medicamentos são os mesmos, feitos pelo mesmo fabricante, na mesma embalagem.
Essas disparidades ocorrem porque ainda não temos o costume permanente de fazer a pesquisa de preços. Acabamos nos acostumando a comprar no mercado perto de casa, na farmácia onde somos conhecidos, no açougue que nos atende bem. Pesquisar, conferir os preços, verificar as vantagens de se comprar em outro lugar – tudo isso, para a maioria das pessoas, “dá muito trabalho”.
E aí me vem à mente o velho costume (também não tão comum quanto parece) de “pechinchar”. Pedir um descontinho na hora da compra, hábito que deveria ser considerado salutar, é visto como uma vergonha. Afinal, se a pessoa pede desconto, na concepção de muita gente, é porque não pode comprar. Se não pode, nem deveria ter ido ver o produto.
Achamos comum a pechincha na hora de comprar um bem de valor alto, como um carro ou imóvel. Nesse caso, o termo muda: chama-se negociação. E aí nos orgulhamos de ter conseguido um bom desconto, de o preço ter abaixado sei lá quantos por cento, de termos “levado vantagem” na compra.
Mas qual a diferença entre negociar um produto de R$ 1 mil e um de R$ 1 milhão? Dinheiro não dá em árvore, e quem trabalha sabe o quanto custa ganhá-lo. Então, por que gastá-lo como se não fizesse diferença conseguir alguma vantagem?
Pesquisar preços e pedir descontos são atitudes que transformam as pessoas em consumidores conscientes de seus direitos. Se eu posso pagar menos por um produto, se tenho tempo para checar onde os preços são mais acessíveis, não posso abrir mão desse privilégio em favor da preguiça ou de achar que esses são hábitos de pessoas mesquinhas. Ninguém junta fortunas esbanjando dinheiro. Muito pelo contrário: as pessoas enriquecem sabendo guardar, pesquisar e negociar. Será que não vale a pena todo o “trabalho”?
Como justificar uma disparidade de preços tão grande? Sabemos que, ao fazer a pesquisa de preço de qualquer produto, devemos levar em consideração o local onde ele está sendo vendido, o atendimento, facilidade de pagamento... Ainda assim, uma variação de mais de 500% não tem a menor lógica. Afinal, os medicamentos são os mesmos, feitos pelo mesmo fabricante, na mesma embalagem.
Essas disparidades ocorrem porque ainda não temos o costume permanente de fazer a pesquisa de preços. Acabamos nos acostumando a comprar no mercado perto de casa, na farmácia onde somos conhecidos, no açougue que nos atende bem. Pesquisar, conferir os preços, verificar as vantagens de se comprar em outro lugar – tudo isso, para a maioria das pessoas, “dá muito trabalho”.
E aí me vem à mente o velho costume (também não tão comum quanto parece) de “pechinchar”. Pedir um descontinho na hora da compra, hábito que deveria ser considerado salutar, é visto como uma vergonha. Afinal, se a pessoa pede desconto, na concepção de muita gente, é porque não pode comprar. Se não pode, nem deveria ter ido ver o produto.
Achamos comum a pechincha na hora de comprar um bem de valor alto, como um carro ou imóvel. Nesse caso, o termo muda: chama-se negociação. E aí nos orgulhamos de ter conseguido um bom desconto, de o preço ter abaixado sei lá quantos por cento, de termos “levado vantagem” na compra.
Mas qual a diferença entre negociar um produto de R$ 1 mil e um de R$ 1 milhão? Dinheiro não dá em árvore, e quem trabalha sabe o quanto custa ganhá-lo. Então, por que gastá-lo como se não fizesse diferença conseguir alguma vantagem?
Pesquisar preços e pedir descontos são atitudes que transformam as pessoas em consumidores conscientes de seus direitos. Se eu posso pagar menos por um produto, se tenho tempo para checar onde os preços são mais acessíveis, não posso abrir mão desse privilégio em favor da preguiça ou de achar que esses são hábitos de pessoas mesquinhas. Ninguém junta fortunas esbanjando dinheiro. Muito pelo contrário: as pessoas enriquecem sabendo guardar, pesquisar e negociar. Será que não vale a pena todo o “trabalho”?
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Situações iguais, desfechos diferentes
Semana passada uma notícia chocou quase todo mundo: uma criança americana de quase dois anos foi filmada pela própria mãe fumando maconha. A menina foi entregue a outros parentes para ser cuidada e a mãe está presa, aguardando julgamento. Se condenada, pode pegar pelo menos seis anos de prisão. Um agravante deixou os policiais e assistentes sociais do caso mais estarrecidos: pela maneira como estava agindo, é possível que a criança fosse acostumada a fumar, e que a filmagem não tenha sido de um ato isolado.
Há pouco mais de 20 dias fato semelhante aconteceu no Brasil. Em Cabedelo, na Paraíba, a polícia encontrou um vídeo de um menino de cerca de três anos também fumando a substância ilícita. Na filmagem um homem aparece dando a droga ao menino, observado pela mãe, que não faz nada para impedir o ato. Pior: ela e o homem gargalham o tempo todo ao ver a criança usando a droga. A mãe também perdeu a guarda do pequeno, mas não foi presa. Motivo: alegou estar sendo ameaçada pelo traficante do filme, na época seu companheiro, e que foi obrigada a deixar o filho fumar maconha. Assim, enquanto as investigações correm, ela está solta.
Estou bastante cansada de ler notícias em que alegações absurdas justificam crimes mais absurdos ainda. Não dá para acreditar que uma pessoa que gargalhava ao ver um traficante dar droga a seu filho estivesse realmente sendo ameaçada. Qualquer pessoa de inteligência mínima percebe que a mulher está muito à vontade no filme, inclusive participando ativamente do que está sendo feito.
Essa mãe (se é que podemos chamar uma pessoa assim de mãe!) merecia estar presa, e não esperando o julgamento em liberdade, muito provavelmente passeando e despreocupada. E grávida de outra criança, que deverá ter um triste futuro, se pensarmos em como ela cuida do primeiro.
Fazemos escolhas em nossas vidas que têm consequências em todos os nossos futuros atos. Se escolho morar com um traficante, como essa mãe, não posso querer depois justificar qualquer ato errado meu por ameaça. Se estava realmente correndo risco, por que não foi fazer denúncia à Polícia? Por que não fugiu? Por que não buscou ajuda? Por que não se escondeu?
Sei que muita gente vai querer justificar a covardia dessa mulher pelo medo, mas não há medo que justifique uma mãe agir como ela agiu. Quando vi a notícia sobre a mãe americana semana passada, não pude deixar de, mais uma vez, sentir vergonha por nossas leis serem tão complacentes. Lá, a mulher vai ser julgada, pode até ser inocentada, mas enquanto isso está presa e vai ter bastante tempo para repensar seus atos. Aqui, a mãe está esperando outra criança e, muito provavelmente, sem se preocupar nem um pouco em como está seu outro filho. Situações iguais, mas desfechos muitos diferentes.
Há pouco mais de 20 dias fato semelhante aconteceu no Brasil. Em Cabedelo, na Paraíba, a polícia encontrou um vídeo de um menino de cerca de três anos também fumando a substância ilícita. Na filmagem um homem aparece dando a droga ao menino, observado pela mãe, que não faz nada para impedir o ato. Pior: ela e o homem gargalham o tempo todo ao ver a criança usando a droga. A mãe também perdeu a guarda do pequeno, mas não foi presa. Motivo: alegou estar sendo ameaçada pelo traficante do filme, na época seu companheiro, e que foi obrigada a deixar o filho fumar maconha. Assim, enquanto as investigações correm, ela está solta.
Estou bastante cansada de ler notícias em que alegações absurdas justificam crimes mais absurdos ainda. Não dá para acreditar que uma pessoa que gargalhava ao ver um traficante dar droga a seu filho estivesse realmente sendo ameaçada. Qualquer pessoa de inteligência mínima percebe que a mulher está muito à vontade no filme, inclusive participando ativamente do que está sendo feito.
Essa mãe (se é que podemos chamar uma pessoa assim de mãe!) merecia estar presa, e não esperando o julgamento em liberdade, muito provavelmente passeando e despreocupada. E grávida de outra criança, que deverá ter um triste futuro, se pensarmos em como ela cuida do primeiro.
Fazemos escolhas em nossas vidas que têm consequências em todos os nossos futuros atos. Se escolho morar com um traficante, como essa mãe, não posso querer depois justificar qualquer ato errado meu por ameaça. Se estava realmente correndo risco, por que não foi fazer denúncia à Polícia? Por que não fugiu? Por que não buscou ajuda? Por que não se escondeu?
Sei que muita gente vai querer justificar a covardia dessa mulher pelo medo, mas não há medo que justifique uma mãe agir como ela agiu. Quando vi a notícia sobre a mãe americana semana passada, não pude deixar de, mais uma vez, sentir vergonha por nossas leis serem tão complacentes. Lá, a mulher vai ser julgada, pode até ser inocentada, mas enquanto isso está presa e vai ter bastante tempo para repensar seus atos. Aqui, a mãe está esperando outra criança e, muito provavelmente, sem se preocupar nem um pouco em como está seu outro filho. Situações iguais, mas desfechos muitos diferentes.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Sem limites de privacidade
Manter a privacidade, para muitas pessoas, ainda é importante, mesmo em tempos de redes sociais de todos os tipos, BBB em vários países e paparazzi de plantão para flagrantes de celebridades. Somos bombardeados 24 horas por informações pessoas que muitas vezes sequer nos interessam, mas temos a opção de dar (ou não) atenção aquilo que nos é mostrado.
O problema é que o limite entre privacidade e público ficou muito tênue. Esta semana tive um exemplo bem claro disso. Com quatro amigas, fui almoçar e, ao entrar no banheiro do restaurante, demos de cara com uma cena inusitada (para não dizer de extremo mau gosto e falta de senso): uma moça, bem arrumada inclusive, sentada no vaso sanitário, fazendo suas necessidades, com a porta totalmente escancarada.
Quando entramos e vi aquela cena, imaginei que ela iria fechar a porta rápido. Muito pelo contrário: ela continuou na mesma posição, e não se importou em até mesmo se limpar diante de nossos olhares espantados. Não que tenhamos ficado olhando diretamente para ela, mas na pia onde estávamos lavando as mãos havia um espelho onde era possível ver essa imagem nada agradável para quem estava indo almoçar. Procuramos sair o mais rápido possível do banheiro, afinal, não me interessa saber o que cada pessoa faz quando está sentado em um vaso sanitário.
O limite entre público e privado não existia nesse caso. A moça não se preocupou se a sua atitude iria incomodar outras pessoas. Fiquei imaginando se esse comportamento ela adota em todos os lugares, ou se foi uma situação pontual, já que sua carteira e celular haviam ficado na bancada da pia e, com a porta aberta, ela poderia vigiá-los. Independente disso, ficar com a porta escancarada, em um banheiro de restaurante, incomoda as pessoas. E muito!
Essa falta de limites de privacidade está se tornando cada dia mais comum. Eu mesma tenho um tom de voz alto, e às vezes não percebo que posso estar incomodando as pessoas próximas a mim quando estou em lugares públicos. Agradeço aos meus amigos que me avisam quando elevei a voz, porque não faço isso de propósito, e até mesmo tento às vezes me policiar para que isso não ocorra.
Mas noto que a maioria das pessoas não se preocupa com nada disso. Falar alto, muitas vezes contando detalhes de histórias sórdidas, faz parte do comportamento em público. Falar ao celular para que todo mundo possa ouvir o que está sendo conversado também é bastante comum. Os limites de privacidade precisam voltar a ser retomados. Ninguém precisa saber o que conversamos e, principalmente, o que fazemos no banheiro.
O problema é que o limite entre privacidade e público ficou muito tênue. Esta semana tive um exemplo bem claro disso. Com quatro amigas, fui almoçar e, ao entrar no banheiro do restaurante, demos de cara com uma cena inusitada (para não dizer de extremo mau gosto e falta de senso): uma moça, bem arrumada inclusive, sentada no vaso sanitário, fazendo suas necessidades, com a porta totalmente escancarada.
Quando entramos e vi aquela cena, imaginei que ela iria fechar a porta rápido. Muito pelo contrário: ela continuou na mesma posição, e não se importou em até mesmo se limpar diante de nossos olhares espantados. Não que tenhamos ficado olhando diretamente para ela, mas na pia onde estávamos lavando as mãos havia um espelho onde era possível ver essa imagem nada agradável para quem estava indo almoçar. Procuramos sair o mais rápido possível do banheiro, afinal, não me interessa saber o que cada pessoa faz quando está sentado em um vaso sanitário.
O limite entre público e privado não existia nesse caso. A moça não se preocupou se a sua atitude iria incomodar outras pessoas. Fiquei imaginando se esse comportamento ela adota em todos os lugares, ou se foi uma situação pontual, já que sua carteira e celular haviam ficado na bancada da pia e, com a porta aberta, ela poderia vigiá-los. Independente disso, ficar com a porta escancarada, em um banheiro de restaurante, incomoda as pessoas. E muito!
Essa falta de limites de privacidade está se tornando cada dia mais comum. Eu mesma tenho um tom de voz alto, e às vezes não percebo que posso estar incomodando as pessoas próximas a mim quando estou em lugares públicos. Agradeço aos meus amigos que me avisam quando elevei a voz, porque não faço isso de propósito, e até mesmo tento às vezes me policiar para que isso não ocorra.
Mas noto que a maioria das pessoas não se preocupa com nada disso. Falar alto, muitas vezes contando detalhes de histórias sórdidas, faz parte do comportamento em público. Falar ao celular para que todo mundo possa ouvir o que está sendo conversado também é bastante comum. Os limites de privacidade precisam voltar a ser retomados. Ninguém precisa saber o que conversamos e, principalmente, o que fazemos no banheiro.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Cada dia sendo o último
A tragédia que abalou Americana nesta quarta-feira ainda repercute alto na população, que busca entender o acidente que matou nove pessoas e deixou 14 feridas, após a colisão entre um ônibus e um trem. Em meio ao choque e aos inevitáveis questionamentos sobre quem causou a batida entre os veículos, as famílias das vítimas ainda têm de lidar com a partida repentina de seus entes queridos.
Aquelas pessoas estavam indo para casa após um dia de trabalho ou estudo. Gente que esperava chegar, possivelmente jantar e descansar, contar seu dia para a mulher, o marido, o amigo. Gente que talvez fosse chegar em casa e escrever uma carta, ligar para uma amiga e bater aquele papo atrasado, mandar um e-mail, resolver alguma situação pendente.
De repente, tudo acabado. Sem chance de dizer adeus, de se desculpar por alguma falha, de perdoar alguma mágoa antiga, de terminar algo começado, de visitar aquele parente, de fazer aquela viagem esperada, de realizar todos os seus sonhos.
A morte é a única certeza na vida de qualquer pessoa. Sabemos que vamos morrer, apenas não sabemos nossa data de validade. Quando ela é anunciada, seja por causa de doenças ou da velhice extrema, tentamos nos preparar para esse momento, e ainda assim é difícil aceitar a sua chegada. Buscamos consolo naquela velha frase de “ele(a) descansou”, mas ainda assim nos questionamos porque isso aconteceu. Mas, quando a morte chega assim, pelo menos temos tempo de nos despedir.
Porém, quando ela chega abruptamente, não há consolo imediato. Não há como voltar e fazer por aquela pessoa que se foi o que devíamos ter feito antes. E quem foi, que muitas vezes deixa planos inacabados, não tem a chance de finalizar o que havia sido planejado para sua vida.
Sábado uma pessoa me disse algo que jamais pensei transmitir: que eu vivo intensamente, como se cada dia pudesse ser o último. Talvez pelo fato de ter chegado muito perto de partir, eu tenha adotado essa atitude. Mas precisei passar perto da morte para entender que a vida é agora, e que nada pode ser deixado para depois.
O acidente de quarta-feira me reforçou isso. Pode ser clichê para muita gente, mas viver cada minuto, da melhor maneira possível, é o que devemos fazer. Sonhos podem ser interrompidos, podemos ter nossa existência acabada de um minuto para o outro, mas nossa partida deve ser marcada pela sensação de termos tentado, em vida, cumprir nossos objetivos. Deixar um plano inacabado é, com certeza, muito melhor do que deixá-lo apenas como uma ideia que jamais foi cogitada de ser colocada em prática. Termos pelo menos tentado ser felizes é o melhor presente que podemos deixar para aqueles que ficam.
Aquelas pessoas estavam indo para casa após um dia de trabalho ou estudo. Gente que esperava chegar, possivelmente jantar e descansar, contar seu dia para a mulher, o marido, o amigo. Gente que talvez fosse chegar em casa e escrever uma carta, ligar para uma amiga e bater aquele papo atrasado, mandar um e-mail, resolver alguma situação pendente.
De repente, tudo acabado. Sem chance de dizer adeus, de se desculpar por alguma falha, de perdoar alguma mágoa antiga, de terminar algo começado, de visitar aquele parente, de fazer aquela viagem esperada, de realizar todos os seus sonhos.
A morte é a única certeza na vida de qualquer pessoa. Sabemos que vamos morrer, apenas não sabemos nossa data de validade. Quando ela é anunciada, seja por causa de doenças ou da velhice extrema, tentamos nos preparar para esse momento, e ainda assim é difícil aceitar a sua chegada. Buscamos consolo naquela velha frase de “ele(a) descansou”, mas ainda assim nos questionamos porque isso aconteceu. Mas, quando a morte chega assim, pelo menos temos tempo de nos despedir.
Porém, quando ela chega abruptamente, não há consolo imediato. Não há como voltar e fazer por aquela pessoa que se foi o que devíamos ter feito antes. E quem foi, que muitas vezes deixa planos inacabados, não tem a chance de finalizar o que havia sido planejado para sua vida.
Sábado uma pessoa me disse algo que jamais pensei transmitir: que eu vivo intensamente, como se cada dia pudesse ser o último. Talvez pelo fato de ter chegado muito perto de partir, eu tenha adotado essa atitude. Mas precisei passar perto da morte para entender que a vida é agora, e que nada pode ser deixado para depois.
O acidente de quarta-feira me reforçou isso. Pode ser clichê para muita gente, mas viver cada minuto, da melhor maneira possível, é o que devemos fazer. Sonhos podem ser interrompidos, podemos ter nossa existência acabada de um minuto para o outro, mas nossa partida deve ser marcada pela sensação de termos tentado, em vida, cumprir nossos objetivos. Deixar um plano inacabado é, com certeza, muito melhor do que deixá-lo apenas como uma ideia que jamais foi cogitada de ser colocada em prática. Termos pelo menos tentado ser felizes é o melhor presente que podemos deixar para aqueles que ficam.
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