quinta-feira, 17 de março de 2011

Punição na medida certa

Uma frase clichê que já ouvimos muitas vezes é que, se temos certeza de algo na vida, é da chegada da morte. Verdade nua e crua: afinal, podemos não saber de onde viemos ou por que, mas sabemos que um dia nossa vida acabará e nossos restos desaparecerão com o passar dos anos.
Um doente terminal até pode saber que tem três meses de vida, mas não sabe exatamente em que minuto a doença irá vencê-lo. E, enquanto espera a morte, existe sempre a esperança de cura, de um milagre, de um tratamento inovador. A espera pode ser dolorida, mas muitas vezes a resignação ao seu destino toma conta da pessoa, que acaba indo embora em paz com sua obrigação cumprida na vida terrena.
Agora imaginem saber exatamente o dia, hora e como vai morrer. Saber que, hipoteticamente falando, tenho três anos, dois meses e cinco dias de vida. E saber que durante todo esse tempo estarei esperando a morte chegar preso, sem a menor chance de sair de onde estou, muitas vezes abandonado por família e amigos.
Nesse caso, os dias se esvaem sem distrações a não ser olhar as paredes da minha cela e esperar que os advogados consigam o adiamento ou a suspensão de minha sentença de morte. A cada pedido de clemência negado, uma esperança de salvação que se vai. E, nessa cela em que me encontro, as horas demoram a passar, me dando muito tempo para pensar no(s) crime(s) que cometi para estar ali e ter recebido essa sentença tão dura. Junto com os pensamentos, podem vir o arrependimento (ou não), a tristeza, a mágoa, e a vontade de voltar atrás e fazer tudo diferente. Podem imaginar punição mais cruel que essa a um criminoso?
Apesar de cruel, acredito que essa é a punição na medida certa para determinados crimes. Não acredito em redenção, nem arrependimento, nem em perdão, para quem mata, tortura, estupra, judia, esquarteja. Para mim, pessoas assim somente sentem o arrependimento quando são pegas – caso contrário, continuarão a cometer seus crimes sem o menor remorso.
Não defendo a pena de morte no Brasil porque temos um sistema judiciário podre em que os condenados a essa punição seriam apenas aqueles sem condição financeira para conseguirem um bom advogado. Mas defendo sua aplicação como punição. Não concordo com quem diz que morrer é pouco, que a pessoa tem de sofrer pelo que fez. Deixa ela sofrer alguns anos, sabendo quando será sua hora. E sabendo que nada poderá ser feito para adiar esse momento. Essa é a maior punição que qualquer pessoa pode ter: saber que sua vida tem dia e hora para acabar. E, acima de tudo: saber que tem muita gente satisfeita que isso vá acontecer.

Nenhum comentário: