sexta-feira, 5 de junho de 2009

Direitos iguais... serão mesmo?

O jornalista Elio Gaspari, no último dia 3, escreveu um artigo em que defende a implantação das cotas raciais nas universidades e apresenta dados que mostram que a iniciativa, ao contrário do que se havia previsto há 10 anos, tem dado certo. O desempenho dos cotistas, em alguns casos, chega a ser melhor que o dos chamados alunos regulares, e a evasão não chega a ser chamativa.
Apesar de adorar Gaspari e respeitar demais o que ele escreve, ainda assim mantenho meu posicionamento: sou totalmente contra as cotas raciais. Antes que os mais exaltados achem que sou racista ou que não quero negros conseguindo seu espaço na sociedade, explico: sou contra as cotas raciais, mas a favor de cotas sociais.
Acho absurdo que as cotas sejam dadas a estudantes baseadas apenas no critério cor da pele. Na minha visão, seria muito mais justo que o critério fosse a condição sócio-econômica do indivíduo. Os que defendem as cotas raciais alegam que os negros são os de menores condições econômicas mesmo, então não muda nada a escolha ser racial ou social. Ótimo! Se não muda nada, então por que manter a cota racial, ao invés de dar chance a negros, brancos, amarelos e índios que tenham a mesma situação financeira? Estudei com um cara branco que se encaixaria perfeitamente nesse quesito. Pobre, ele não tinha dinheiro para nada, trabalhava quando não estava na faculdade e vivia apenas do que ganhava, sem ajuda nenhuma dos pais para se sustentar em Londrina. Mesmo fazendo faculdade pública, para ele se manter era um enorme sacrifício. Lembro-me de uma vez em que ele comprou uma caixa de tomates e sua alimentação, durante o mês todo, foi arroz e tomate. Pela sua cor, ele jamais teria direito a entrar na faculdade pelo sistema de cotas. Porém, não vejo nenhuma diferença entre ele e tantos negros que também passam dificuldades para se formar. Ou ele tem menos direito porque sua cor é diferente?
O Brasil está tentando consertar vários erros com outros erros. Tudo agora tem de ser politicamente correto. Por exemplo, não se pode falar deficiente, é “especial”. Especial por que? Mudar a palavra é bonito, mas tem efeito inócuo. Qual a diferença entre dizer deficiente e especial? Aliás, os “especiais” querem ser tratados como iguais pela sociedade. Mais do que justo, mas então que comecem a não usar essa denominação. Afinal, especial quer dizer com algo a mais. Oras, se somos todos iguais, por que temos nomes diferentes?
Já que estou falando dos deficientes, outra coisa que acho fora de propósito é a maneira como são definidas as vagas para eles em concursos públicos. Fiz um há três anos, sabendo que não ia passar, pois não havia me preparado para isso. Conferi minha nota e por curiosidade fui conferir a classificação dos “especiais”. Para meu espanto, vi que o primeiro colocado não havia acertado nem metade do que eu havia acertado! Então entendi o absurdo: como a lei determina que haja vaga para os deficientes, as vagas são preenchidas de acordo com a ordem de classificação. Ou seja, não há necessidade de se ter o mesmo conhecimento dos candidatos “não-especiais” para se ocupar a mesma vaga!!!! Acho irônico isso: os deficientes reivindicam tanto os mesmos direitos que todos, mas na hora dos deveres... Nunca vi ninguém reclamando que todos deviam ter de tirar as mesmas notas que os outros concorrentes.
Que duas coisas fiquem aqui bem claras: não sou contra negros em universidades e muito menos contra deficientes em qualquer serviço. Apenas acho que os critérios usados para que eles tenham seu espaço são bem intencionados, porém confusos. Direitos iguais? Então deveres também. Ou será que somente os brancos e os “normais” é que precisam realmente se esforçar para conseguir seu espaço em nossa sociedade?

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